MST ocupa a sede do Incra
Luciana Pombo
De Curitiba
Cerca de 200 trabalhadores do Movimento Sem Terra (MST) ocuparam ontem a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Curitiba, para discutir a liberação imediata de recursos para o custeio da safra de verão de mais de 14 mil famílias assentadas no Paraná. Os créditos ainda dependem de uma resolução do Banco Central que regulamenta e a medida provisória do governo federal, publicada ontem. A publicação da resolução está prevista para hoje.
Os manifestantes dormiram em frente à agência e hoje continuam o protesto. Se a medida não for editada, os líderes do MST prometem que irão radicalizar as ocupações no interior do Estado, montando barracas e acampamentos em todas as agências do Banco do Brasil. Vamos providenciar lonas e armar acampamentos na frente das agências do Banco do Brasil, afirmou o líder José Damasceno.
Os sem-terra querem a liberação dos recursos de custeio do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) para todas as famílias assentadas, cerca de R$ 28 milhões. Cada família teria direito a até R$ 2 mil para custeio da safra. O restante dos recursos prometidos, R$ 38,5 mil, é destinado para investimentos e poderia ser liberado de forma gradativa.
O gerente da área rural do Banco do Brasil, Josemar Horst, disse que a partir da publicação da Medida Provisória, o banco terá 24 horas para se adequar às novas regras e começará a receber os projetos de investimentos imediatamente. A previsão é de que os recursos para custeio comecem a ser liberados a partir de terça-feira, após uma reunião do Conselho de Desenvolvimento do Fundo de Amparo ao Trabalhador.
Se os recursos forem liberados, estaremos operacionalizando e liberando os créditos para as famílias assentadas, afirmou ele. O Banco do Brasil do Paraná já pediu ao Banco Central a autorização para a abertura das agências do interior do Estado entre os dias 2 e 3 de outubro (sábado e domingo). Queremos agilizar esse processo, argumentou.
A superintendente adjunta do Incra, Maria Rosalina Arend, disse que o Incra está trabalhando para a liberação dos recursos emergenciais de custeio. O assentado está descapitalizado e precisa dos recursos para a compra das sementes, afirmou ela. Ainda ontem, o Incra encaminhou os resultados das reuniões com o Banco do Brasil e o MST para o governador Jaime Lerner.





