Brasília- Cerca de 18 mil integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) ocuparam ontem a Praça dos Três Poderes, em Brasília, durante uma marcha para cobrar a reforma agrária. Houve um confronto com a Polícia Militar, que tinha 1.100 homens protegendo os prédios do governo. Um carro de som do MST tentou entrar à força no local e atropelou o tenente Fernando Siqueira Guimarães, que barrava a passagem com a moto. Os policiais reagiram usando os cassetetes e foram cercados.
De acordo com o coronel Luís Renato Fernandes Rodrigues, comandante da PM, foi preciso chamar reforço. Segundo ele, havia um acordo para que o carro de som não entrasse, já que isso é proibido por lei. A chegada da Cavalaria causou correria entre os sem-terra. O tumulto foi controlado com muita dificuldade. O policial teve ferimentos no braço. Duas sem-terra foram feridas com golpes de cassetete. Messilene Gorete da Silva, de Pernambuco, foi levada por uma ambulância com suspeita de fratura no braço. A outra não foi identificada.
O coordenador nacional do MST, João Paulo Rodrigues, disse que o incidente não prejudicou o objetivo da manifestação. ''O balanço é positivo.'' A marcha faz parte do 5º Congresso Nacional que o MST realiza em Brasília para discutir a reforma agrária. O evento termina amanhã hoje.
Na ocupação da praça, os sem-terra cobriram a fachada do monumento a Juscelino Kubitschek com uma faixa preta com 32 metros de extensão por 5 de altura, com os dizeres ''Acusamos os Três Poderes de impedir a Reforma Agrária''.
O busto de Juscelino foi coberto com uma bandeira contendo a imagem do líder revolucionário Che Guevara.

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