MARÍLIA, SP - Cinco fazendas foram ocupadas por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra na madrugada de ontem no Pontal do Paranapanema (região oeste do Estado de SP). Estas são as primeiras ocupações organizadas pelo MST em 97.
De acordo com José Rainha, líder local do MST, mais duas fazendas deverão ser tomadas nas próximas horas: a Santa Rita, em Mirante do Paranapanema, e a Santa Irene, em Taquaruçu. Na Santa Rita, 1.200 famílias aguardam, na beira da estrada, ordem para ocupar a terra. Na Santa Irene, há 700 famílias de prontidão.
Setecentas famílias tomaram três fazendas de Euclides da Cunha Paulista: Porto Letícia, Santa Teresinha e Santa Rita do Pontal; 300 famílias entraram na fazenda Santo Antonio, em Marabá Paulista; e 300 famílias invadiram a fazenda Ribeirão Bonito, em Teodoro Sampaio.
Ontem, José Rainha disse estar muito preocupado com a reação dos fazendeiros ligados a UDR, que estão se armando ‘‘até os dentes’’. ‘‘Nós estamos tentando resolver o problema da reforma agrária, mas eles estão dificultando. Por isso, estamos fazendo essas invasões para alertar a opinião pública porque está aumentando a tensão no Pontal do Paranapanema’’, afirmou Rainha.
O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra garantiu que as invasões de ontem foram pacíficas e que as 1.200 famílias passaram o dia montando barracos. Hoje, elas começam a preparar a terra para o plantio, principalmente de mandioca. Rainha lamentou que a UDR tenha ‘‘dificultado’’ os acordos com o governo para se resolver a questão agrária no Pontal. ‘‘Primeiro eles pediram R$ 800,00 o hectare de terra. O governo concordou em pagar e eles aumentaram o preço. Agora já estão falando em R$ 1.300,00 o hectare, deixando claro que não querem negociar’’.

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