Recife, 21 (AE) -O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) promoveu, neste final de semana, nove ocupações e seis reocupações de terra em Pernambuco. De acordo com o MST, cerca de mil trabalhadores participaram da onda de invasões, a segunda maior feita em 99 no Estado. A primeira foi em março, quando 35 áreas foram ocupadas ou reocupadas pelos sem-terra. Não houve registro de incidentes.
O líder estadual do MST, Jaime Amorim, disse que a ação em série mostra que as ocupações continuam sendo a maior arma e a maior força de luta do movimento. Segundo ele, foram as constantes invasões de terra em várias partes do País que conseguiram "derrotar" o programa Novo Mundo Rural, do Governo Federal, que prevê a aquisição da terra pelos trabalhadores e não por desapropriação governamental. "Essa foi a principal conquista do MST neste ano", afirmou. "Conseguimos manter as desapropriações; as vistorias, que estavam suspensas no Estado, recomeçaram em setembro".
Jaime acredita que esta seja última jornada de ocupação do ano em Pernambuco, o que não impede as invasões isoladas. Segundo a assessoria de imprensa do MST, o movimento tem 135 acampamentos no Estado, incluindo estas últimas ocupações.
As áreas ocupadas foram: Engenho Pasmado, de 3 mil hectares (da Igreja Católica e arrendado à Usina São José, de acordo com o MST), em Igarassu, na região metropolitana do Recife; Engenho Santo Antônio, de 600 hectares, em Camutanga do Norte e Engenho Cavalcante, de 800 hectares em Buenos Aires (ambos na zona da mata Norte); e Engenho Piaba, de 950 hectares, em Barreiros, na zona da mata Sul.
No Agreste foram ocupadas a Fazenda Açudinho, de mill hectares, em Taquaritinga do Norte; Fazenda Santa Rosa, de 1.200 hectares, em Pesqueira; Fazenda de João Godoy, de 600 hectares, em Buíque, e Fazenda Manoíno, de 1.200 hectares, em Itaíba. Uma outra ocupação se realizou no Sertão, a Fazenda Boa Vista, de 2.500 hectares, em Ipubí.
Das seis reocupações, duas foram no Sertão - Fazenda Jatobá, em Ouricurí,e Fazenda Serra das Abelhas, em Exu - e quatro na zona da mata Sul - os engenhos Araçu e Letra, em Barreiros, e Barreirinho e Mamucaba, em Tamandaré. O MST garante que todas as áreas são improdutivas e vai pedir a vistoria ao Incra.

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