Emerson Cervi
De Curitiba
Cerca de 200 sem-terra ocuparam o auditório da superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Curitiba, ontem à tarde. Eles pretendiam se reunir com o superintendente do Incra no Paraná, José Carlos Araujo Vieira, para apresentar uma lista com nomes de 126 áreas ocupadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Paraná.
Segundo o coordenador regional do MST, Roberto Bagio, a regularização dessas 126 áreas resolveria o problema da maioria dos acampados no Paraná. Como o superintendente estava em Brasília, os sem-terra foram recebidos pela superintendente adjunta, Maria Rozalina Arend.
O objetivo do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra é priorizar as vistorias em áreas já ocupadas. ‘‘O Incra está buscando as piores fazendas para desapropriar enquanto nós temos mais de cem acampamentos no Estado’’, disse um dos coordenadores do movimento, Ireno Prochnow.
Depois de meia hora de conversa, ficou marcada uma nova reunião para a próxima segunda-feira, 13. A reunião terá a participação do diretor de recursos fundiários do Incra, Luiz Fernando de Mattos Pimenta.
‘‘O superintendente está em Brasília tratando justamente da agilização dos processos de desapropriação de áreas no Paranᒒ, disse a adjunta. Os sem-terra aceitaram esperar até dia 13. Mas, se na próxima reunião não houver informações conclusivas sobre novas desapropriações, eles ameaçam ficar acampados na sede do Incra por tempo indeterminado.
Da lista de 126 áreas apresentadas ao Incra pelo MST, 81 já foram consideradas improdutivas ou estão com decreto de desapropriação publicado. Apesar disso, elas não fazem parte do grupo de 20 áreas apresentadas pelo Incra no dia 2 de setembro para assentamento de 800 famílias.
‘‘Nossa prioridade era vistoriar áreas que estão fora da faixa de fronteira e não ocupadas porque nestes casos o processo de desapropriação é mais lento’’, explicou Rozalina Arend. ‘‘Além disso, em muitas dessas ocupações existem liminares judiciais que impedem a continuidade do trâmite do processo de desapropriação no Incra’’.
Os coordenadores do MST não aceitaram a explicação. ‘‘No último mês o Incra vistoriou fazendas em Palmas, Pinhão e Fênix, regiões de solo pobre e onde é quase impossível a sobrevivência do pequeno agricultor’’, reclamou Prochnow.
‘‘Queremos prioridade para a regularização das áreas que estão ocupadas’’. As 126 áreas apresentadas pelo MST ao Incra ontem somam 200 mil hectares e contam com cerca de 7,5 mil famílias de sem-terra instaladas provisoriamente.

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