MST ocupa 11 praças de pedágio no Paraná
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quinta-feira, 17 de abril de 2008
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Manifestantes ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocuparam, durante a madrugada e manhã de ontem, 11 das 27 praças de pedágio do Paraná, liberando as cancelas para passagem de usuários das rodovias. O MST alega que as ocupações são parte das ações da Jornada Nacional de Luta pela Reforma Agrária. O dia 17 de abril foi instituído com dia de luta para o movimento, pois foi nessa data, há 12 anos, que 19 sem-terra foram mortos durante confronto com a polícia, no Pará. O episódio ficou conhecido como o massacre de Eldorado dos Carajás.
A ocupação das praças de pedágio vem sendo uma estratégia do MST, durante suas mobilizações, desde o primeiro mandato do governador Roberto Requião (PMDB) que, por sua vez, travou, desde então, um embate judicial contra as concessões das rodovias federais que cortam o Paraná. As concessionárias ingressaram com pedidos de reintegração de posse e outras medidas judiciais, que se tornaram desnecessárias, já que ao longo do dia a maioria das praças foi sendo desocupada.
Segundo informações da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), inicialmente, foram ocupadas duas praças de pedágio da Viapar (na BR-376, em Mandaguari; BR-369, em Campo Mourão); três da Rodovia das Cataratas (na BR-277, em São Miguel do Iguaçu, Laranjeiras e Candói), três da Caminhos do Paraná (na BR-277, em Prudentópolis, Porto Amazonas e Lapa); duas da Rodonorte (na BR-277, em São Luiz do Purunã e Ortigueira); e uma da Ecovia (na BR-277, em São José dos Pinhais).
A ABCR não tinha, ontem, o balanço dos prejuízos de eventuais danos materiais às praças e pela não cobrança das tarifas. As manifestações, segundo a entidade, foram pacíficas. No início da noite, duas praças permaneciam ocupadas, mas a previsão do MST era de liberar todos os pedágios ainda ontem.
A assessoria de imprensa do MST no Paraná informou que os atos de ontem serviram, ainda, para protestar contra a violência das milícias armadas no Paraná, as privatizações das rodovias federais e estaduais e as tarifas abusivas. O movimento entende que os pedágios são um dos principais entraves para o desenvolvimento da agricultura familiar, pois encarece o transporte e distribuição dos produtos agrícolas.


