MST não tem esperança em visita de Jungmann
Emerson Cervi
De Curitiba
A reunião de hoje à tarde entre líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Paraná e o ministro da Reforma Agrária Raul Jungmann, em Curitiba, não deve terminar com o acampamento dos sem-terra em frente ao Palácio Iguaçu. O encontro começa às 14h30, no auditório da sede da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), em Curitiba.
A expectativa do assessor especial para assuntos fundiários do Estado, Antônio Carlos da Costa Coelho, é que hoje seja definida a data do fim do acampamento do MST. Mas para Nei Orzekovski, um dos coordenadores do acampamento, será difícil chegar a um acordo como esse. Não vamos cair mais em promessas vazias, só levantaremos acampamento se o ministro trouxer algo de concreto, afirmou.
As principais exigências do MST são o assentamento de pelo menos 9 mil famílias sem-terra no Estado este ano, fim das prisões de lideranças do movimento e repasse de R$ 150 milhões para a reforma agrária no Paraná.
Também devem participar da reunião o governador Jaime Lerner, o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná, José Carlos de Araújo Vieira, o assessor especial de assuntos fundiários do Estado e o bispo Dom Ladislau Biernarski.
O presidente da Sociedade Rural do Paraná Francisco Galli criticou o fato de nenhum representante dos produtores ter sido convidado para o encontro.
De manhã, Jungmann assina convênio para implantação do plano de reordenamento fundiário e outros convênios com secretarias estaduais. A cerimônia para as assinaturas será às 11 horas, no Palácio Iguaçu. O plano de reordenamento faz parte do projeto Banco da Terra. Segundo Coelho, serão atendidas 9 mil famílias de pequenos agricultores do Paraná por este programa até 2002. A meta é assentar 900 famílias ainda este ano, disse.
O convênio prevê repasses de R$ 342 milhões do governo federal para pequenos agricultores comprarem terra. Cada família recebe R$ 30 mil. A prioridade será para agricultores com até 20 hectares, não proprietários que arrendam ou trabalham como meeiros em até 20 hectares e trabalhadores rurais assalariados, diz Coelho. O MST é contra este programa.





