O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Pontal do Paranapanema decidiu transformar ontem a assembléia que deveria decidir pelo reinício das invasões de propriedades rurais da região em uma festa em comemoração ao começo do processo de desapropriação da fazenda São Domingos, em Sandovalina, anunciado sexta-feira pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Na sede da fazenda, uma centena de pecuaristas ligados à União Democrática Ruralista (UDR) reafirmaram a disposição de resistir às ações do MST.
Enquanto seus militantes soltavam fogos e provocaram um incêndio acidental numa pastagem, o coordenador regional do MST, Valter Gomes, reafirmava a disposição do movimento de retomar as ocupações, ‘‘o que poderá acontecer a qualquer momento’’. Cerca de 500 sem-terra, de acordo com cálculos da Polícia Militar participaram da assembléia realizada junto ao escritório desativado do canteiro de obras da Usina Hidrelétrica Taquaruçu, perto das cercas divisórias da fazenda São Domingos.
Gomes disse que a decisão de ocupar a fazenda já estava tomada desde o final da semana passada e que só não foi levada adiante ontem em virtude do anúncio feito pelo Incra, de que a propriedade será desapropriada. ‘‘Não vamos invadir o que já é nosso’’, afirmou. O dirigente reafirmou que o MST deverá ocupar ‘‘ a qualquer momento’’ as fazendas Santa Irene, em Sandovalina, Santa Rita, em Mirante do Paranapanema e Santa Maria, em Teodoro Sampaio. Também estão na lista dos sem-terra as fazendas Santa Tereza e Santa Maria de Euclides da Cunha.
Sobre a disposição do proprietário da fazenda São Domingos, Osvaldo Fernandes Paes, de recorrer à Justiça contra o processo de desapropriação, Gomes preferiu não dar importância: ‘‘É um direito que ele tem, mas depois do anúncio feito pelo Incra, sabemos que o governo federal vai desapropriar aquelas terras e nós iremos plantar nelas’’.
Ele disse esperar que ainda nesta semana o Incra assuma a posse da fazenda. Por este motivo já marcou nova assembléia dos acampados para o próximo domingo no mesmo local. ‘‘Vamos discutir o que plantar e se a fazenda não for desapropriada podemos ocupa-la à força’’, afirmou.
Distante poucos quilômetros da assembléia dos sem-terra, cerca de cem pecuaristas ligados a UDR ouviram seus dirigentes acusarem os governos do Estado e da União de conivência com a ação do MST. O presidente da entidade, Roosevelt Roque dos Santos, citou nominalmente o ministro extraordinário de Política Fundiária, Raul Jungmann, o presidente do Incra, Milton Seligman, o secretário da Justiça de São Paulo, Belisário dos Santos Junior, de terem ‘‘a mesma ideologia da liderança do MST’’.
Segundo Santos o presidente Fernando Henrique Cardoso também tem sido conivente com o crescimento do clima de tensão provocada pelo MST em todo o Brasil. ‘‘Quem engordou a cobra foi o Fernando Henrique Cardoso e quem será picado por ela também será o presidente as eleições do ano que vem’’, disse.

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