MST mostra caso de favorecimento
Um exemplo de favorecimento de fazendeiros pelo superintendente do Incra no Paraná, José Carlos Vieira, apontado pela coordenação estadual do MST, foi o despejo, em 15 de maio, de 36 famílias da Fazenda Solidor, no município de Espigão Alto do Iguaçu, na região central do Estado. Há 14 anos assentadas no local, as famílias tinham construído casas e a infra-estrutura necessária, além de estar pagando Imposto Territorial Rural (ITR) ao município. Ainda assim, o Supremo Tribunal Federal acatou pedido de reintegração de posse do arrendatário da área, ordenando o despejo das famílias.
O Incra podia ter contestado essa decisão ou ao menos ter procurado outra área com estrutura para assentar estas famílias antes de fazer o despejo, reclama Mário Schons da coordenação estadual do MST. O assessor do Incra Abeloide Olivo não soube precisar, ontem, os motivos do despejo e o porquê de as famílias ainda não estarem assentadas em outra área definitiva.
Valmor Lopadela Borges, de 36 anos, casado e com quatro filhos, morava na área há 14 anos. Tinha uma casa de 63 metros em um lote de 17,5 hectares, instalação elétrica, água encanada e pagava R$ 12,00 por ano de ITR. Nós perdemos tudo. A Polícia militar cercou nossas casas, fez o despejo com violência e tivemos que deixar toda nossa plantação lá, não deu para colher nada, conta. Ele contabiliza perdas entre R$ 24 mil e R$ 50 mil por família. Além da produção de milho, arroz, feijão, e da plantação de mandioca e batata, no local havia 72 alqueires de pasto forrado e criação de 333 cabeças de gado, suínos e galinhas.
Segundo Borges, as casas de madeira foram derrubadas com trator e as de material, destruídas com explosivo. Os moradores querem a indenização pelas perdas, além da liberação imediata de uma área para assentamento. (M.G.)





