Nantes, SP - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) escolheu a pequena Nantes, a 70 quilômetros de Presidente Prudente, para montar seu oitavo acampamento no Pontal do Paranapanema. É a primeira ação do movimento no extremo leste da região, com terras mais valorizadas e voltadas à produção de grãos.
Os barracos começaram a ser montados ontem nas margens de uma estrada municipal, a 1 quilômetro da área urbana. O primeiro grupo de famílias chegou segunda-feira e passou a noite ao relento, pois o caminhão com o material para construir os barracos se atrasou. O acampamento vai abrigar até 120 famílias da região. Com estas, passam de 5.800 os grupos familiares do MST acampadas no Pontal.
A estratégia, não admitida pelas lideranças, é avançar em direção a Assis, uma das regiões mais produtivas do Estado. O acampamento, já denominado Frei Paulino, está na margem do lago da Usina Hidrelétrica de Capivara, no Rio Paranapanema. Segundo o líder Luciano de Lima, de 24 anos, o plano é criar uma regional do MST para atender oito municípios da região. ''Tem muita terra devoluta aqui.''
O movimento pediu ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) a vistoria de 20 fazendas da região, no total de 150 mil hectares. Lima contou que os acampados são procedentes de Quatá, Cândido Mota e Rancharia, além do próprio município. A estrada de terra corta a Fazenda Bela Vista, dos descendentes de Wataro Yida. De um lado, há uma roça de milho, do outro, criação de gado com cerca eletrificada.
Segundo Lima, a fazenda de 1.500 hectares foi vistoriada em 2000 e apontada como improdutiva, mas a família entrou com recurso. Os acampados vão receber ajuda da Comissão Pastoral da Terra (CPT) da Paróquia de Iepê, e do Sindicato Rural de Cândido Mota.
O prefeito de Nantes, Marcos Vinícius de Oliveira (PTB) registrou a ocupação da estrada na Polícia Civil. Ele ainda não decidiu se requer a reintegração de posse.

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