Luciana Pombo
De Curitiba
Os sem-terra, acampados há 79 dias em frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba, começaram a fazer uma estufa para a produção de alface e temperos, como salsinha e cebolinha. A estufa está sendo executada por oito pessoas e deverá ficar pronta hoje à tarde. Toda a estrutura deverá ter 80 metros de extensão por um metro de largura. Segundo o coordenador do acampamento, Ireno Prochmow, a intenção é plantar cerca de 40 mudas de alface por metro quadrado. ‘‘Resolvemos plantar alface porque poderemos colher mais rapidamente. Entre 12 e 15 dias de plantio, já poderemos começar a comer’’, diz ele.
Ireno Prochmow argumenta que os cerca de 400 sem-terra que ainda estão acampados em Curitiba poderão ter uma melhor alimentação. Todos os dias, os acampados comem feijão, arroz e farinha de milho. ‘‘Não temos variedade no cardápio, por isto estamos reforçando nossa alimentação’’, afirma.
A horta deverá ser orgânica. Deverão ser utilizados húmus de minhocas para adubar a terra. A estufa ainda será protegida por lonas plásticas, que impedirão os reflexos das geadas e do frio na plantação. Os recursos para a compra das mudas ainda não foram agilizados. A expectativa é a de conseguir doações de entidades ligadas ao movimento. O custo de 160 mudas de alface, por exemplo, é de R$ 3,00.
Os sem-terra estão produzindo também pães na padaria montada no acampamento. A produção é de 120 pães por dia para o consumo interno e 50 para a venda. Outras atividades já estão programadas. Os sem-terra pretendem montar uma fábrica de serigrafia dentro do prédio abandonado do Fórum para a confecção de bandeiras, bonés e camisetas. Os recursos obtidos com a venda do que for produzido serão revertidos para o acampamento.
Os sem-terra dizem que só irão deixar o acampamento, em Curitiba, quando forem cumpridas as promessas de assentamento de famílias em todo o interior do Estado. ‘‘Estamos otimistas. Os recursos já foram prometidos, estamos esperando que as promessas sejam concretizadas’’, diz Roberto Baggio, coordenador do MST.

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