MST mobiliza sem-teto e sem emprego
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sábado, 19 de julho de 1997
Agência Folha São José do Rio Preto 
Arquivo FolhaMais forçaSem-terra conseguem adesão à causa e falam em parar o PaísSem-terra, sem-teto e sem emprego se unem hoje em marchas contra o projeto neoliberal de FHC, segundo líderes dos sem-terra. O movimento pode aumentar o clima de tensão gerado pela greve de policiais civis e militares em curso no País.
Em São Paulo, a mobilização foi batizada de Abre o Olho, Brasil. As caminhadas acontecem paralelamente nas principais capitais. São organizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Central Única dos Trabalhadores (CUT), União Nacional dos Estudantes (UNE), Central dos Movimentos Populares, sindicatos e Igreja Católica. Em São Paulo, as marchas partem de 12 pontos rumo à capital, de hoje até sexta-feira, data da chegada, quando se comemora o Dia do Trabalhador Rural.
Cerca de 2.500 pessoas saem hoje de Campinas, Sorocaba e São José dos Campos para se juntar a outras nove colunas de cidades da Grande São Paulo e do ABC.
Um ato político com shows em frente ao Masp, na Avenida Paulista, encerra a manifestação na sexta-feira. Vamos parar o Brasil, disse o dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra José Rainha Júnior. Rainha afirmou que, para acontecer alguma mudança neste País, só com as massas nas ruas.
Ele acredita no restabelecimento do clima das diretas-já e do fora-Collor, para acabar com o projeto neoliberal do presidente Fernando Henrique. O Plano Real foi para o brejo. Só o governo não vê. Cadê emprego? Cadê reforma agrária? Cadê investimentos para tirar as crianças das ruas? Cadê hospitais?
Anteontem, o líder nacional do MST defendeu a idéia de os grevistas da polícia e os sem-terra se juntarem nas ruas para protestar contra o governo de Fernando Henrique Cardoso.
Ele disse que gostaria de ver os policiais na marcha dos três sem - sem-terra, sem-teto e sem-emprego. Para José Rainha, o enfrentamento de policiais militares e soldados do Exército em Maceió (AL) é um sinal de que o Brasil está perto de explodir.
Só o presidente Fernando Henrique Cardoso não quer enxergar. É um alerta. O Brasil caminha para uma explosão social. Se o governo não tomar jeito, vai cair, afirmou. José Rainha Júnior disse que não prega a queda do governo, mas acha que só haverá mudanças se as massas forem para as ruas, como nas diretas-já e no fora-Collor.
Na opinião do dirigente do MST, se fosse uma manifestação dos sem-terra, falariam que é uma guerra civil. É uma vergonha a polícia ter de enfrentar o Exército por causa de salário.
Quero ver se as Forças Armadas vão ter coragem de atirar contra a multidão quando todo mundo for para as ruas. O dirigente do MST acha que o projeto neoliberal do governo federal acabou. Temos que nos unir todos, sem-terra, polícia, sociedade, para desnacionalizar o Brasil, para tirar do País a interferência do capital internacional. Para José Rainha, o movimento das polícias por pagamentos atrasados e reajustes de salários é uma luta digna e justa, como a dos sem-terra quando fazem ocupação para forçar o governo a fazer reforma agrária. Ele considera que a reivindicação da polícia por melhores salários é mais forte e importante que a ordem. Não há disciplina que suporte. Como se pode manter a ordem e a disciplina com a barriga vazia? As manifestações das polícias, na visão de José Rainha, servem para eles (policiais) entenderem por que a gente faz ocupação. É a mesma luta. Também temos filhos. Gostaria que eles passassem a não atirar mais nos sem-terra.


