MST mobiliza militância para cobrar reforma agrária
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quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Luciana Cristo <br> Equipe da Folha 
Curitiba - A mobilização nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) para pressionar o governo federal a agilizar a reforma agrária teve reflexos em quatro cidades paranaenses ontem. Em Curitiba, aproximadamente 150 integrantes ocuparam a sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no início da manhã, permanecendo até o início da noite.
Hoje, os manifestantes devem voltar ao prédio do Incra. Segundo um dos coordenadores estaduais do MST, Ramon Brizola, os rumos da mobilização na capital dependem de negociações programadas para acontecer em Brasília, com a diretoria nacional do movimento, que promoveu ontem atos em 17 Estados. No Paraná, o MST também promoveu atos públicos em Maringá, Francisco Beltrão e Laranjeiras do Sul.
Apesar da movimentação dos sem-terra, o trabalho dos funcionários dentro do prédio do Incra em Curitiba foi normal. ''Mesmo com alguns transtornos na entrada, ninguém deixou de prestar atendimento a quem procurou o órgão'', avaliou o superintendente do Incra no Paraná, Nilton Bezerra Guedes.
Durante a tarde, representantes do MST se reuniram com a superintendência regional do Incra para discutir a situação das famílias que aguardam assentamento no Paraná. Para os próximos meses, o principal problema é a falta de dinheiro. ''O orçamento do Incra para obtenção de terras neste ano já terminou. O que se reivindica agora é uma suplementação'', disse ele.
Para todo o Brasil, o orçamento previsto para 2011 é de R$ 530 milhões, segundo dados repassados ao MST.
Ao todo, são 72 áreas ocupadas pelo MST em todo o Paraná, das quais 32 estão em ''processo adiantado'' de regularização, informou o Incra. De acordo com o superintendente, no Paraná a dificuldade está na obtenção de terras improdutivas. ''É muito difícil conseguir áreas improdutivas. O que temos são áreas nas quais o proprietário está sonegando, como em algumas plantações de cana-de-açúcar no Norte Pioneiro. Mas a compra de áreas produtivas tem avançado bem no Estado, embora o preço das terras tenha subido muito nos últimos tempos'', avalia o superintendente regional do Incra.


