MST marcha na periferia de Londrina
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sexta-feira, 29 de abril de 2005
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
A chuva atrapalhou a etapa londrinense da Marcha Nacional pela Reforma Agrária, promovida pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), mas o tom do discurso adotado pela militância permaneceu inalterado. Não faltaram críticas ao governo federal e à política nacional de reforma agrária. Nem mesmo a recente liberação de R$ 400 milhões, que serão utilizados no processo de assentamento de famílias em todo o País, amenizou a postura do MST. ''Essa marcha tem justamente o propósito de mostrar que não estamos satisfeitos com a política de reforma agrária, que é lenta e não cumpre suas metas'', disse o coordenador estadual do MST, José Damasceno.
Ontem, mais de 800 agricultores paranaenses ligados ao movimento, entre adolescentes, jovens e adultos, estiveram em Londrina participando de um ato ecumênico. A chuva não permitiu que a carreata se estendesse até o centro da cidade, conforme previsto pela organização. Ainda assim, o objetivo de despertar a atenção da opinião pública local foi atingido, segundo Damasceno. O comboio com 20 ônibus seguiria ontem à noite para Goiânia, próxima parada da Marcha Nacional.
Nem o deputado federal Florisvaldo Fier (PT-PR), o Dr Rosinha, convidado do MST, poupou críticas ao modelo econômico adotado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que segundo ele, contamina o processo de distribuição de terras no País. ''A reforma (agrária) poderia ser mais rápida, mas isso depende do setor econômico brasileiro. Os recursos são insuficientes e precisam avisar o Palocci (ministro da Fazenda) que o governo começou. Ele pensa que o governo ainda é do PSDB'', polemizou o deputado.
De acordo com Damasceno, existem mais de nove mil famílias paranaenses acampadas esperando para ser assentadas. No Brasil, esse número subiria para 219 mil. Segundo ele, a meta de assentar 430 mil famílias até 2006 só terá sucesso se o governo Lula cumprir o que prometeu na época de campanha. ''Em dois anos, foram assentadas pouco mais de 80 mil, e o compromisso era de 115 mil famílias. Para este ano, foi aprovada a liberação no orçamento de R$ 3,5 bilhões para fazer a reforma. Estamos quase no meio do ano e nem um terço desse dinheiro foi liberado'', lamentou.


