A coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Paraná decidiu manter 150 agricultores em vigília, diante da sede da superintendência regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Curitiba. ‘‘Continuaremos aguardando uma reunião para tratar da nossa pauta de reivindicações’’, disse ontem à noite José Damasceno, integrante da coordenação do MST no Paraná.
Cerca de 600 integrantes do MST deixaram o prédio do Incra ontem de manhã, atendendo determinação judicial expedida na véspera pelo juiz Eduardo Didonet Teixeira, da 6ª Vara Federal de Curitiba, que aceitou o pedido do Incra de reintegração de posse feito pela superintendência. A saída dos sem-terra foi bastante tumultuada em função da chuva que caiu durante toda a manhã. A desocupação acatou orientação da coordenação Nacional do MST, que esperava, com isso, que o governo federal concordasse em negociar com uma comissão do movimento ainda ontem, o que não ocorreu.
Apesar de o governo federal ter declarado anteontem que determinaria à Polícia Federal a identificação e prisão preventiva das lideranças envolvidas nas ocupações, não houve nenhum movimento neste sentido em Curitiba.
A desocupação começou logo após uma assembléia dos manifestantes, às 8h30. A chuva forte, entretanto, acabou atrasando a saída dos sem-terra do prédio e até 11 horas muitos ainda permaneciam na sede do Incra. Os manifestantes decidiram permanecer o dia todo em frente ao edifício, em vigília, no aguardo de notícias de Brasília. Eles armaram uma barraca de lona em frente ao prédio do Incra, na Rua Doutor Faivre, centro, com cerca de 20 metros de comprimento, onde improvisaram uma cozinha.
O único incidente foi resolvido com a intervenção do procurador Regional da República Mário Ghisi. O superintendente do Incra, José Carlos Vieira, não queria permitir que os sem-terra mantivessem colchões, cobertores e roupas na garagem do prédio, mas acabou concordando depois da solicitação do procurador.
Segundo Roberto Baggio, da coordenação estadul do MST, nacionalmente o movimento está negociando cinco pontos de pauta: assentamento de 45 mil famílias; liberação de R$ 400 milhões para os assentamentos existentes em todo o País; recursos para o programa de alfabetização; assistência técnica e crédito para obras de infra-estrutura; e mudança de três superintendentes do Incra, entre eles o do Paraná, José Carlos Vieira.
Além destes pontos, o MST do Paraná também tem duas reivindicações específicas: a vinda de uma comissão do Incra de Brasília para discutir a elaboração de um plano emergencial de assentamentos no Estado, e a liberação de recursos para infra-estrutura nos assentamentos. Eles pedem um total de R$ 2 mil por família, com desconto de 40% na hora de quitar a dívida. Segundo o MST, só foram assentadas 480 famílias este ano no Estado. A meta do Incra é fechar o ano com o assentamento de 2,1 mil famílias. Segundo a coordenação estadual, existe hoje no Estado cerca de 280 áreas entre acampamentos, ocupações e assentamentos. Cerca de 200 áreas abrigam 12 mil famílias já assentadas. Há mais 9 mil famílias acampadas em áreas não regularizadas.

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