MST mantém protestos em 8 Estados
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quarta-feira, 26 de julho de 2000
Agência Estado De São Paulo e sucursais 
As manifestações de trabalhadores rurais contra a política agrícola do governo continuaram ontem em sete Estados: Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Bahia, Alagoas, Rondônia e Pará. O Levante do Campo é organizado pelo Movimento dos Sem Terra (MST), Movimento dos Afetados por Barragens (MAB) e Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA). Eles protestam contra a importação de alimentos, pela lentidão da reforma agrária e reivindicam recursos.
Na Bahia, 200 sem-terra ocupam desde ontem a Prefeitura de Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, para pressionar o prefeito Raimundo Pimenta (PFL) a fazer obras em três assentamentos. A verba teria sido repassada em 1998. O prefeito exige a desocupação para dialogar.
No Rio Grande do Sul, cerca de 3 mil agricultores mantinham, em quatro pontos do Estado, bloqueios a rodovias e entradas de fábricas. Desde terça-feira, há restrições à passagem na ponte São Borja-San Tomé (fronteira com a Argentina); na BR-392, perto do porto de Rio Grande; na porta da fábrica da Monsanto, em Não-Me-Toque, e na da Souza Cruz, em Santa Cruz do Sul. A Justiça concedeu ontem liminar de reintegração de posse à União e às duas empresas. Foi negociada a liberação da ponte internacional até as 20 horas de ontem e de meia pista da BR-392.
No Paraná, cerca de 5 mil pessoas estão acampados em oito municípios, promovendo debates. Iniciativas semelhantes ocorreram em Rondônia e Mato Grosso.
Os cerca de 200 sem-terra da região Noroeste, que participam desde terça-feira da Jornada Nacional de Trabalhadores Rurais, marcharam ontem de Maringá até Sarandi, um trecho de aproximadamente 10 quilômetros. A marcha começou depois de um protesto na Praça Raposo Tavares, onde a liderança do MST começou a mudar o discurso da manifestação. Estamos aqui para alertar sobre os reflexos negativos da política federal sobre a agricultura familiar, mas queremos também mostrar nossa situação, disse Antonio Ereci da Silva, do MST.
A revolta dos sem-terra, segundo ele, veio com a notícia da morte e ferimentos em companheiros em manifestações da jornada. Não podemos mais admitir o tratamento que recebemos do governo, desabafou. Silva disse que o Paraná é um exemplo da repressão ao movimento. Ele lembra que são 13 coordenadores do MST com mandado de prisão decretado, um ano de despejos e massacre contra os sem-terra acampados e cinco mortos pela polícia ou por jagunços dos fazendeiros. Sem que o governo se preocupe em assentar as famílias que estão há anos aguardando um pedaço de terra, disse. Hoje os sem-terra prometem continuar as manifestações em outros municípios da região.
Aproximadamente 600 sem-terra e pequenos agricultores mantém acampamento instalado anteontem no centro de Cascavel, na Praça do Migrante, onde permanecerão até amanhã.
Do acampamento, os manifestantes saem para atos em locais que consideram, estratégicos para questões que defendem. Ontem, estiveram na frente do escritório da Emater, enfatizando apoio e pedindo ampliação das atividades de extensão rural e assistência técnica à pequenas propriedades; na agência o INSS, contra a privatização seguro-saúde, e na Copel, em defesa patrimônio publico e contra a privatização da empresa. (Colaboraram Paulo Pegoraro, de Cascavel, e Marcos Zanatta de Maringá)


