Agricultores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará libertaram ontem à tarde 11 dirigentes de órgãos federais e do governo do Pará. Eles haviam sido tomados como reféns no início da noite de anteontem na sede do Intituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Marabá. A liberação foi feita após interferência do presidente do Incra, Nelson Borges, e o prédio desocupado.
A negociação para soltar os reféns, segundo a chefe de gabinete da presidência do Incra, Maria Oliveira, prevê a revisão no orçamento do Incra para a região, melhorias em 200 assentamentos onde vivem mais de 50 mil famílias, além da liberação de créditos para alimentação e plantio. Nesta quinta-feira chega a Marabá uma comissão de Brasília para retomar as negociações com MST, Fetagri e outras 40 entidades.
Maria Oliveira contou que os reféns foram obrigados a dormir no chão da sala da superintendência do Incra. E só na manhã de ontem tiveram autorização do MST para comprar alimentos. ‘‘Eu e algumas pessoas chegamos a entrar em desespero temendo o pior’’, disse. Maria Oliveira informou que os trabalhadores tentaram invadir o auditório do Incra, onde acontecia a reunião da comissão de negociadores, mas foram impedidos por líderes.
O coordenador do MST no sul do Pará, Eurival Martins, responsabilizou o diretor do Incra de Brasília, Raimundo Lima, pela decisão de transformar em reféns os negociadores. ‘‘Este sujeito é muito arrogante, chegou gritando que a comissão de Brasília não tinha poderes para resolver nada, os trabalhadores ficaram revoltados e resolveram agir’’.
Martins disse que o radicalismo do diretor do Incra foi combatido na mesma moeda pelos trabalhadores. ‘‘Felizmente prevaleceu a intervenção das lideranças que evitou consequências mais graves.’’

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