MST leva famílias para área de conflito
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quarta-feira, 27 de agosto de 1997
Agência Folha Teodoro Sampaio 
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) decidiu levar 2.000 famílias, parte delas do Paraná, para os acampamentos Taquaruçu e Santa Rita, principal foco de tensão entre os sem-terra e fazendeiros no Pontal do Paranapanema (extremo oeste de São Paulo). O Taquaruçu fica ao lado da fazenda São Domingos, em Sandovalina (640 quilômetros a oeste de São Paulo), onde seis sem-terra ficaram feridos a tiros durante uma tentativa de invasão, em fevereiro.
Para se defender das invasões, o fazendeiro Oswaldo Paes mantém guardas e cavou trincheiras nas divisas da propriedade. Seguranças ficam 24 horas por dia na entrada da fazenda Santa Rita, em Mirante do Paranapanema, em frente ao acampamento do MST, local de conflito armado com os sem-terra no início do ano. Segundo o coordenador do MST Carlos Rainha, 22, os sem-terra pretendem pressionar o Incra a cadastrar as novas famílias. Uma parcela das famílias dispostas a ir para barracos, segundo ele, está desempregada em cidades do Pontal.
Carlos Rainha diz não ter números exatos sobre o contingente de famílias que irá de cidades e povoados na região do norte do Paraná, como Itaguajé, Colorado, Paranapoema e Jardim Olinda.
Algumas pessoas resistiam, mas se conscientizaram que o acampamento é a essência da luta, disse Carlos Rainha, irmão do líder nacional José Rainha Júnior. A previsão é que operação esteja concluída no próximo dia 11. Carlos Rainha disse não temer possíveis reações dos fazendeiros. O risco de vida é o mesmo em manifestações, marchas ou acampamentos.
O superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Jonas Villas Bôas, diz que uma lei impede o governo de assentar as famílias oriundas de outros estados. Podemos até fazer um levantamento dessas pessoas, mas falar em assentamento é mais complicado, disse Villas Bôas.
O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Roosevelt Roque dos Santos, disse estar sabendo que há sem-terra cruzando a fronteira do Paraná para se juntar aos acampados do Pontal. O dirigente ruralista acredita em novas ações do MST nas próximas semanas. Se os poderes constituídos não coibirem esses criminosos, não venham culpar os fazendeiros ou a UDR, disse.


