Maigue Gueths
De Curitiba
Com dificuldades para registrar e comercializar os produtos produzidos nos assentamentos do Estado, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) resolveu lançar o que eles chamam de Feira da Reforma Agrária ou Mercado Solidário. Com este sistema, os produtos com a marca do MST estão sendo vendidos regularmente à população de Curitiba e Londrina em feiras semanais, em associações e sindicatos, que chegam a fazer listas com encomendas antecipadas, e já estão, até mesmo, sendo exportados.
É o caso da erva-mate e chá natural, que há três anos vêm sendo exportados para a Itália e Alemanha, em embalagens que carregam a tradicional marca do movimento: a bandeira do Brasil, com um agricultor e uma foice. O produto vem de assentamento no município de Santa Maria do Oeste (região centro-oeste do Estado), que tira 17,5 toneladas por mês. A última remessa, há dois meses, exportou 2 toneladas dos produtos.
Em Curitiba, a Feira acontece todas as manhãs de sexta-feira, no pátio da Reitoria da Universidade Federal do Paraná. Ali, representantes da Cooperativa do movimento vendem mais de 20 itens produzidos pelas 14 mil famílias que hoje estão assentadas no Paraná, entre mel, pepino, picles, rapadura, açúcar mascavo, arroz, feijão, chá, erva-mate e até mesmo acolchoados de lã de carneiro. Os únicos produtos que não são do Paraná são as geléias e doce de maçã, que vêm de um assentamento do Rio Grande do Sul.
‘‘São assentados, ex-sem-terra, que hoje estão produzindo em suas terras, e para o consumidor vale a pena porque ele pode pagar menos do que pagaria no mercado comum’’, diz Celso Godoi, responsável pela comercialização dos produtos. A erva-mate, produto que mais vende, custa R$ 1,40 no MST contra R$ 2,00 no mercado. O feijão sai por R$ 1,00 o quilo contra R$ 1,30 nos mercados.
‘‘Nosso problema, assim como acontece com os pequenos agricultores, é que não estamos conseguindo entrar no mercado e temos dificuldades até para registrar os produtos oficialmente’’, reclama Godoi. Para minimizar este problema e aumentar as vendas, eles já têm planos de abrir uma barraca nas feiras livres de Curitiba. Com o assentamento em breve, na Lapa, eles esperam também poder produzir hortifrutigranjeiros para atender a capital.
Neste esquema limitado de vendas, o movimento vende, semanalmente, cerca de 50 vidros de 500g de mel, 50 vidros de geléias, 300 unidades de rapadura, 200 quilos de feijão e entre 120 e 150 pães de forma, que são produzidos na padaria do acampamento em frente ao Palácio do governo. Godoi não sabe dizer os números conclusivos sobre a produtividade nos assentamentos. A produção de feijão, segundo ele, chega a 113 mil sacas de 60 quilos por ano. Já a de erva-mate e chá é de 17,5 toneladas ao mês.

mockup