MST invade três fazendas no Pontal
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quinta-feira, 10 de setembro de 1998
Agência Estado 
Cerca de 180 famílias do acampamento Chico Mendes ocuparam ontem as fazendas Santa Clara e Nhancá, em Mirante do Paranapanema; e a fazenda Nova do Pontal, em Rosana, interior de São Paulo, na retomada das ações do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) contra a política de reforma agrária do governo federal. O líder sem-terra José Rainha Júnior reafirmou que as invasões serão intensificadas nos próximos dias, inclusive em propriedades que possuem segurancas armados.
A ocupação de ontem foi comandada pelo coordenador regional do movimento, Cledson Mendes, e realizada sem resistência de parte dos proprietários. As fazendas Santa Clara e Nhancá já haviam sido invadidas na semana passada quando os sem-terra iniciaram o preparo das terras. Ontem eles concentraram a atenção no início do plantio de milho, trabalho que contou com a ajuda de Rainha.
Hoje uma nova fazenda será ocupada, conforme antecipou o dirigente do MST, que preferiu não identificá-la. Vamos tomar a decisão em reunião que faremos à noite, afirmou Rainha.
O pecuarista Fernando Negrão Barbosa, dono das propriedades, disse que já conta com mandado de reintegracão de posse expedido pela juíza de Mirante, Catarina Ruibal Estimo e que espera apenas o apoio da Polícia Militar para forçar a retirada dos sem-terra. Ele acusou o MST de ter subtraído, durante a invasão da semana passada, 2,5 mil lascas de aroeira e dez mil metros de arame. Além disso, segundo ele, foram queimados cem alqueires de pastagens.
A fazenda Nova do Pontal está sendo negociada pelo governo do Estado e não consta que tenha esquema armado de segurança. O MST tem interesse histórico na propriedade, pois foi nela que o movimento realizou sua primeira invasão no Pontal, em junho de 1990.


