MST invade três fazendas em Quedas do Iguaçu
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terça-feira, 27 de abril de 2004
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Três fazendas foram invadidas na madrugada de ontem em Quedas do Iguaçu (165 quilômetros a leste de Cascavel). De acordo com o delegado Douglas Posseibom Freitas, que abriu ontem inquérito para identificar os autores da invasão e indiciá-los por formação de quadrilha e esbúlio possessório (quando há invasão à força de uma propriedade), cerca de 800 pessoas ocuparam as áreas.
A Fazenda Campo Novo, de 941 hectares, é de propriedade de Darci Ribeiro de Andrade. A fazenda tinha, no momento da ocupação, 1,5 mil cabeças de gado, tratores, implementos agrícolas e plantações de aveia. Recentemente, Darci colheu 15 mil sacas de cereais que ainda estão armazenadas em silos privados da região. Outra área ocupada foi a Fazenda Agropecuária Três Elos, de propriedade de Darceu Ribeiro de Andrade (irmão de Darci), que tem 720 hectares e produz 1,2 mil cabeças de gado. Foram deixados no local durante a ocupação telefones celulares, implementos agrícolas, tratores e um carro de propriedade do filho de Darceu.
Ainda foi ocupada numa ação simultânea a Fazenda Acalento, que tem 186 hectares e é de propriedade de Fábio Rodrigo Mezzomo. Na área estavam para ser colhidas 3 mil sacas de soja. Permaneceram no local 20 cabeças de gado. ''Os produtores relataram em depoimento aqui na delegacia que tiveram que sair da fazenda repentinamente. Os sem-terra chegaram armados e encapuzados e forçaram todos os moradores a desocuparem imediatamente das fazendas. Em alguns casos não deu tempo de nada. Nem de pegar os telefones celulares'', declarou Freitas. Ainda ontem, os proprietários se preparavam para pedir a reintegração de posse das fazendas.
O major Celso Luiz Borges, do 6º Batalhão da Polícia Militar (PM) de Cascavel, disse ontem que os sem-terra estavam acampados na Fazenda Araupel, nos acampamentos conhecidos como ''Bacia'' e ''Silos''. A PM ainda não foi vistoriou a área. Para essa semana, está previsto o mapeamento das novas invasões para ser encaminhado para a Secretaria de Estado de Segurança Pública. Ontem, a assessoria de imprensa da Secretaria buscava informações sobre as invasões. Em caso de ser confirmada a reintegração de posse pela Justiça, a Secretaria vai preparar um plano de desocupação pacífica das famílias.
Um dos coordenadores estaduais do MST, José Damasceno, admitiu que as ocupações foram promovidas por integrantes do movimento. De acordo com ele, as fazendas ocupadas não são produtivas. ''São áreas de grandes fazendas e que não cumprem seu papel social'', afirmou. Damasceno disse que as ocupações fazem parte do pacote anunciado nacionalmente pelo líder João Pedro Stédile. ''Não dá para separar do contexto nacional. Faz sim parte de um cronograma nacional de ocupações'', comentou.
A região de Quedas do Iguaçu teria sido escolhida para as ocupações, segundo Damasceno, pela realidade local. ''A região concentra muitos latifúndios. Em contrapartida, tem o maior índice de sem-terra do Paraná'', alertou. Ele não quis falar se novas ocupações estão previstas para os próximos dias.


