MST invade praças de pedágio no Dia Mundial da Alimentação
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quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Cláudia Palaci<br> Equipe da Folha 
Curitiba- Sete praças de pedágio foram invadidas ontem por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e Via Campesina, em todo o Estado. As cancelas foram liberadas ao tráfego, impedindo às concessionárias a cobrança de tarifa, desde às 8 horas. A ação marcou o Dia Nacional de Luta pela Soberania Alimentar. A data foi escolhida em razão do Dia Mundial da Alimentação, comemorado ontem.
Em carta aberta, distribuída à população nas cancelas, os manifestantes cobravam do Governo Federal a criação de políticas públicas que priorizem a produção de alimentos, fortaleça o modelo agrícola familiar e abastecimento do mercado interno.
Por volta das 8h30, um grupo de 50 pessoas ocupou a praça de pedágio de São Luiz do Purunã (Região Metropolitana de Curitiba), que fica no km 132 da BR-277, entre a Capital e Ponta Grossa. A agricultora Maria Natividade de Lima, do assentamento da Lapa, disse que a ocupação do local foi pacífica. ''Combatemos a alta no preço dos alimentos e entendemos que a partir de um apoio à agricultura camponesa e ao cultivo agroecológico, teremos soberania alimentar no Brasil'', comentou.
Ana Paula Rockenback, também do assentamento da Lapa, demonstra preocupação com o custos dos alimentos. ''Estou gastando R$ 100 por mês a mais'', afirmou. Ela e o marido trabalham na terra e produzem o que comem, mas os produtos manufaturados - como açúcar, trigo, sal, entre outros -, são adquiridos em supermercados.
No fim da manhã, as praças administradas pela concessionária Ecocataratas, em Cascavel e São Miguel do Iguaçu (BR-277) foram desocupadas. O restante das praças da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias Paraná - Santa Catarina (ABCR) foram desocupadas no início da tarde. Um grupo deixou a última ocupação, na praça de Wittmarsum, invadida após a liberação de outros pontos, por volta das 15 horas. De acordo com a assessoria de imprensa da ABCR, não foram identificados danos aos equipamentos, mas houve prejuízo por conta da abertura da cancela para os veículos.
Segundo nota da Via Campesina, os pedágios são alvo do protesto por serem considerados um dos principais entraves para a pequena agricultura, já que a tarifa paga encareceria a distribuição dos produtos agrícolas, prejudicando os produtores no campo e os consumidores nas cidades. O Anel de Integração do Paraná é formado por seis concessionárias que administram 27 praças de pedágio em 2,5 mil quilômetros de rodovias.


