Curitiba - Um grupo de trabalhadores rurais, liderados pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), invadiu e montou acampamento na unidade de pesquisa e treinamento da Monsanto em Ponta Grossa, ontem de manhã. Essa é a segunda invasão em uma semana. Na sexta-feira passada, o MST, Pastoral da Terra e outras entidades, queimaram 4,5 hectares de milho transgênico no local.
De acordo com as lideranças do movimento, 150 pessoas participaram da ocupação da unidade, que tem 43 hectares. A empresa informou que seriam 80 pessoas. O acampamento foi apelidado de Chico Mendes pelos invasores. Na sexta-feira passada, um dos líderes do MST no Estado, Roberto Baggio, anunciou que todas as áreas com lavouras transgênicas seriam invadidas. A decisão foi tomada ao final da 2 Jornada de Agroecologia, com a presença de 27 entidades ligadas a trabalhadores e movimentos rurais, como a Comissão Pastoral da Terra (CPT).
Os trabalhadores rurais e o MST são contrários à Medida Provisória 113, que libera a comercialização de soja transgênica da safra 2002/2003, que foi plantada ilegalmente, principalmente no estado do Rio Grande do Sul. Para continuar valendo, a MP precisa passar pelo crivo da Câmara dos Deputados. Para que o texto passe, o governo federal se comprometeu a encaminhar proposta, em caráter de urgência, para regulamentar os transgênicos no País.
A Monsanto fez pedido de reintregração de posse na tarde de ontem. Segundo um dos coordenadores do MST no Paraná, Célio Rodrigues, não havia intenção de abandonar a área. ''Quando a Monsanto sair do Brasil, daí poderemos sair daqui'', afirmou. Para Rodrigues, a presença da empresa no País ajuda a disseminar as plantações transgênicas ilegais.
Em nota divulgada ontem, a Monsanto diz ''repudiar a repetição dessa ação e reafirmar sua confiança nas autoridades para coibir a realização de tais atos de violência contra a integridade de seus funcionários e de seu patrimônio e contra o desenvolvimento da pesquisa no Brasil''. De acordo com a nota, a unidade de Ponta Grossa faz ensaios de campo com milho e soja geneticamente modificados mas também de origem convencional. A empresa diz também que todas as atividades e áreas da empresa estão em conformidade com as exigências da CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança). A Monsanto está há cerca de 50 anos no Brasil e emprega 1,8 mil pessoas.

mockup