Curitiba- Cento e cinquenta famílias de trabalhadores rurais sem-terra invadiram uma nova área da Fazenda Araupel, entre os municípios de Nova Laranjeiras (118 km a leste de Cascavel) e Rio Bonito do Iguaçu (125 km a oeste de Guarapuava). A invasão aconteceu na madrugada de domingo. A área fica em uma parte da propriedade conhecida por Pinhal Ralo. Chamada projeto 13-A, a área tem aproximadamente 400 hectares e se destina ao reflorestamento de pinus, matéria-prima utilizada pela indústria de manufaturados (madeira beneficiada).
Segundo informações preliminares levantadas pela Secretaria de Estado da Segurança Pública, os invasores seriam ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e oriundos de São João e de um acampamento às margens da PR-158. A assessoria de imprensa do MST informou que nenhum dirigente do movimento se manifestaria sobre o assunto ontem.
A Secretaria de Estado da Segurança mandou policiais militares para acompanhar a movimentação na fazenda. Até o final da tarde de ontem, segundo a Polícia Militar do 16º Batalhão de Guarapuava, não foi registrado nenhum conflito.
A preocupação dos diretores da Araupel, segundo informou o advogado da empresa, Paulo Macarini, é que haja prejuízo ao funcionamento da indústria. A área invadida, segundo ele, é cortada pela estrada por onde a madeira dos reflorestamentos é transportada até a fábrica.
Macarini disse que como havia ''ameaça'' dos sem-terra invadirem todas as áreas de reflorestamento da Araupel, a empresa teve a precaução de solicitar à Justiça o interdito proibitório das terras. A área invadida no domingo está sob proteção judicial e, por isso, a empresa espera que o governo do Estado providencie a retirada das famílias da área. ''Em último caso, vamos entrar com ação pedindo a reintegração de posse'', completou o advogado.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública informou, por meio da assessoria de imprensa, que aguardará um comunicado oficial da Justiça e, se for o caso, fará um planejamento da desocupação para que ela aconteça de forma pacífica.
A Fazenda Araupel vem sendo alvo de invasões desde 1996. Cerca de 28 mil hectares da propriedade foram destinadas à reforma agrária. A empresa ainda questiona, na Justiça, o valor das desapropriações. No ano passado, 1,5 mil sem-terra ligados ao MST invadiram o Núcleo Agrícola Campo Novo, também pertencente à empresa. A ocupação alavancou novas negociações entre a Araupel e o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) do Paraná, ainda em andamento, para que outros 25 mil hectares da fazenda sejam desapropriados.
Uma das condições do acordo, lembrou Macarini, era de que nenhuma outra área da Fazenda Araupel fosse ocupada. No entanto, no final do ano passado duas outras áreas foram invadidas: a Erva-Mate, em Quedas do Iguaçu, e a Lambari, em Laranjeiras do Sul. Ambas têm mandados de reintegração de posse expedidos pela Justiça, que ainda não foram cumpridos.

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