MST intensifica invasões no Paraná
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segunda-feira, 02 de agosto de 2004
Claudio Yuge<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) voltou a agir com intensidade desde a semana passada no Paraná e as ocupações ocorridas no final de semana geraram diversos conflitos, que resultaram na morte de um rapaz de 20 anos, e também troca de acusações de diversos órgãos que discutem a questão agrária no Estado.
Na quinta-feira da semana passada, um grupo de militantes invadiu a Fazenda Itambé, em Jundiaí do Sul, no Norte Pioneiro. Eles entraram em choque com outros sem-terra, na sexta-feira, na disputa por uma área da Fazenda Pau D'Alho, em Ribeirão do Pinhal, na mesma região. No sábado, a Fazenda Santa Filomena, que fica entre os municípios de Planaltina do Paraná e Guaraiçá, no Noroeste do Estado, foi palco de um tiroteiro que resultou na morte do sem-terra Elias Gonçalves de Meura, de 20 anos. No sábado pela manhã, duas propriedades foram ocupadas: a fazenda Campo Real, na divisa entre Guarapuava e Candói e a Boito, em Matelândia. No domingo, em Cascavel, dois lotes também foram tomados por aproximadamente 1,2 mil sem-terra.
O descontentamento com relação às medidas do governo federal é tanto que Flávio Pinho de Almeida, proprietário da Fazenda Sete Mil, que fica em Jardim Alegre, no Norte do Estado, protocolou na Câmara dos Deputados, em Brasília, pedido de impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por crime de responsabilidade por não ter cumprido decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A União determinou intervenção federal na questão porque o governo Roberto Requião (PMDB) não realizou a reintegração de posse na área, considerada produtiva e invadida por 4 mil integrantes do MST em 1997.
O superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná, Celso Lisboa de Lacerda, afirmou ontem que a situação chegou a esse ponto devido às decisões judiciais, que atrasam o processo de assentamento dos latifúndios considerados improdutivos. ''A Fazenda Santa Filomena, por exemplo, foi considerada improdutiva em 1997. O dono reclamou na Justiça, teve a reintegração de posse, e há quatro anos a questão está em trâmite. Isso acontece em uma porção de áreas, o que gera expectativa e o cidadão comum não sabe disso.'' Desde 1979, de acordo com dados do Incra, 329 propriedades, num total de cerca de 532.391 hectares, estão com situação pendente e 274 áreas, consideradas improdutivas, foram assentadas.
O presidente da União Democrática Ruralista (UDR) do Paraná, Marcos Prochet, acusou o Incra de estar ajudando o MST a ocupar as áreas consideradas questionáveis. ''Fiquei sabendo que na semana passada as lideranças do MST no Estado estiveram com o Incra, que mostrou as áreas que podem ser consideradas improdutivas'', disparou. De acordo com Freitas, as fazendas Saudade (Santa Izabel do Ivaí), Rio Novo e São Francisco (ambas em Querência do Norte), Figueira e Santa Filomena (Planaltina do Paraná e Guaraiçá) estariam entre as localidades apontadas.
O coordenador da Comissão Estadual de Política Fundiária da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Tarcisío Barbosa de Souza, também culpou o governo federal de apoiar as invasões. ''Há conivência, apoio à ilegalidade. Acreditamos que a invasão gera violência e estamos acompanhando tudo com apreensão. Estamos à disposição para intervenção federal e vamos fazer um ato público para cumprir a lei, as reintegrações de posse'', adiantou.


