Agência Estado
Do Rio
Começou ontem, com uma manifestação em frente à Petrobrás e ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no Centro do Rio, a Marcha Popular pelo Brasil, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). O ato reuniu cerca de 2 mil pessoas, a maioria sem-terra e sindicalistas. A marcha, que vai passar por 120 cidades em 15 Estados, deve chegar a Brasília na primeira semana de outubro.
De acordo com o coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile, a idéia da caminhada pelo Brasil é mobilizar a população para discutir a crise econômica e maneiras de fazer oposição à privatização de estatais. Foram selecionados mil integrantes do MST que vão percorrer cerca de 1.500 quilômetros, 20 por dia, segundo a coordenação do MST. No Rio, além dos sem-terra, participaram do início da marcha índios caingangue, de uma reserva indígena de Santa Catarina, e integrantes do movimento anarquista.
De acordo com o índio Darci Rodrigues a presença na marcha é importante para chamar a atenção para o problema agrário enfrentado pelos indígenas. ‘‘Nós não conseguimos a demarcação, pelo governo federal, das nossas terras’’, disse Rodrigues, da aldeia Condá. ‘‘Queremos a demarcação de 3,3 mil hectares.’
Stédile disse ontem que a denúncia de que há infiltração do grupo guerrilheiro peruano Sendero Luminoso no MST é uma ‘‘paranóia da direita’’. ‘‘O próprio presidente Fernando Henrique Cardoso reconheceu que isso não existe’’, afirmou Stédile.
‘‘O presidente Fernando Henrique, num momento de realismo durante uma audiência com o Fórum Nacional de Reforma Agrária, reconheceu que as reivindicações do MST são justas, mas que a reforma agrária está parada, assim como os programas para educação e saúde, porque o Brasil enfrenta uma das piores crises econômicas’’, disse Stédile.
Ele defendeu um plebiscito para que a população diga se é favorável à venda da Petrobrás. Ela não está no cronograma de privatização do governo federal, segundo o presidente Fernando Henrique. O que está prevista é a venda, provavelmente no primeiro semestre do próximo ano, de 34% de ações da Petrobrás que excedem o controle acionário da União.
Stédile ironizou a proposta de criação de um imposto de combate à pobreza defendida por Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). ‘‘ACM foi duas vezes governador da Bahia e o povo de lá é um dos mais pobres do País’’, disse o dirigente.
Anhembi O governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), quer uma solução rápida para o problema criado pela decisão do MST de transferir para a área urbana de Anhembi, as 1.200 famílias que estavam acampadas no município. O governador teme conflitos. O acampamento foi montado sábado e a chegada dos sem-terra, a maior parte arregimentada na periferia de São Paulo e em cidades da região metropolitana, está assustando os 3.500 moradores da área urbana. O comércio tem receio de saques.
Covas tratou do assunto com o ministro da Justiça, José Carlos Dias, em audiência ontem à tarde. No fim da tarde, o governador receberia o prefeito de Anhembi, Geraldo Conceição Cunha (PSDB).
O dia foi calmo em Anhembi. Nem a Polícia Militar nem a Civil registraram qualquer ocorrência.

mockup