MST inicia encontro sem líderes
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terça-feira, 04 de março de 1997
Agência Folha 
Arquivo FolhaDiolinda de Souza (e) não teve prisão decretada e participa do encontroSÃO BERNARDO DO CAMPO - O 12º Encontro Estadual dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Estado de São Paulo começa hoje, em Santo André, sem a presença de José Rainha Jr., um dos principais líderes do Movimento do Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Rainha e outros três líderes do movimento na região do Pontal do Paranapanema (extremo oeste do Estado) estão foragidos desde a semana passada, quando tiveram suas prisões preventivas decretadas. Cerca de 150 fazendeiros de todo País, reunidos ontem em Uberaba (MG), elaboraram um documento que será entregue amanhã ao presidente Fernando Henrique Cardoso pedindo que terras invadidas não sejam desapropriadas.
Sem Rainha, mas com presença de lideranças estaduais e nacionais do MST, como Diolinda Alves de Souza (mulher de Rainha) e Gilmar Mauro, o encontro estadual termina na sexta-feira, com um ato em frente ao estádio do Pacaembu, em São Paulo. Delwek Matheus, 39, um dos coordenadores nacionais do MST, disse que o encontro vai discutir os efeitos da política neoliberal do governo sobre a reforma agrária.
Segundo ele, o MST espera reunir 3.500 pessoas por dia durante o encontro, sendo três mil delegados de acampamentos e assentamentos do Estado. São esperados de 70 a 80 ônibus com os sem-terra do interior.
Em Uberaba, fazendeiros protestaram ontem contra as invasões de terras e pediram ao governo o cumprimento da lei na questão agrária. O que está havendo no campo é uma guerra. Não existe mais Estado de Direito no Brasil, afirma Willian Koury, fazendeiro em Garça (SP) e vice-presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Nelore (ABCZ), entidade que conta com dez mil pecuaristas em seu quadro de sócios e que promoveu o 1º Encontro Nacional de Lideranças do Setor Rural. Segundo Koury, foi a passividade do governo diante das atividades do MST que levou os produtores a realizarem o encontro e tomarem uma posição.
Mesmo assim, a proposta final dos fazendeiros prega a conciliação. A principal reivindicação que fazemos ao governo é no sentido do cumprimento das leis, afirma José Olavo Borges Mendes, presidente da ABCZ. Segundo Mendes, o governo já havia sido alertado para o acirramento dos conflitos fundiários um ano e meio atrás. Agora as coisas estão ficando insustentáveis e resolvemos nos unir, disse.
Intitulado Manifesto à Nação - Lei, Ordem e Paz no Campo, o documento dos ruralistas defende projeto do deputado Jaime Martins (PFL-MG) propondo que terras invadidas não sejam desapropriadas. Sua aprovação pode mudar o panorama, disse Mendes. No final do evento, os ruralistas elegeram uma comissão para estabelecer o contato com o governo.


