Sandovalina, SP - A direção estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) impediu que um grupo de militantes sob coordenação regional do movimento em Sandovalina, no Pontal do Paranapanema, invadisse uma fazenda do município, na noite de segunda-feira. A ação foi abortada quando os sem-terra deixavam o acampamento, montado na entrada da cidade e se dirigiam, em caminhões e ônibus, para a área que seria ocupada.
O episódio, confirmado pelo coordenador regional Valmir Sebastião, desmente a versão difundida pelo próprio MST de que as lideranças regionais têm autonomia de ação. ''Foi a coordenação estadual que segurou, ponderando que o momento não era oportuno'', disse o líder. O motivo alegado, segundo ele, foi a audiência que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concederá às lideranças do MST no dia 6. ''O grupo achava que estava na hora de fazer barulho, mas a liderança entendeu que não'', explicou Sebastião. ''Nesse caso prevalece a posição de cima.'' O coordenador estadual Gilmar Mauro, de quem teria partido a ordem de abortar a invasão, não foi encontrado.
Sebastião disse que seria ocupada uma área de 23 hectares da prefeitura local. O terreno está reservado para a instalação de um distrito industrial. A ação seria uma represália contra o prefeito de Sandovalina, Divaldo Pereira de Oliveira (PMDB), que ontem decretou estado de emergência no município alegando a ''invasão'' da cidade pelo MST.
De acordo com o prefeito, os 1.500 acampados acabaram com os estoques de remédio e causaram colapso no serviço social. Ontem, além da prefeitura, a Unidade Básica de Sa© úde, a creche, a coleta de lixo e outros serviços não funcionaram. As três escolas da cidade dispensaram os alunos.
O líder do MST disse que a maioria dos acampados é da própria cidade, mas o prefeito afirma que muitos vieram do Paraná e do Mato Grosso do Sul, além de cidades da região. O juiz de Pirapozinho, Aristóteles de Alencar Sampaio, que determinara o despejo dos acampados, deu prazo de 15 dias para o cumprimento da ordem. Os sem-terra receberam a intimação ontem pela manhã.
''Se não tivermos para onde ir, vamos acampar na praça central de Sandovalina'', ameaçou Sebastião.

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