Curitiba - O governo do Estado destacou contingente de 187 policiais militares, 33 viaturas e um microônibus para cumprir mandado de reintegração de posse da Fazenda São José, em Campina da Lagoa (100 quilômetros ao sul de Campo Mourão), ontem, mas a desocupação não aconteceu. Isso porque as cerca de 48 famílias, segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), na verdade, não estão acampadas dentro da propriedade. Elas estão em um sítio vizinho, onde pagam aluguel, e usam parte da fazenda de 225 alqueires para plantar e deixar o rebanho leiteiro de cerca de 400 animais.
A Ouvidoria Agrária Nacional pediu à Secretaria de Estado da Segurança Pública para suspender a operação e dar um prazo de três dias para a retirada do gado do local. A ouvidora agrária nacional adjunta, Maria de Oliveira, informou que intenção é estabelecer acordo com o proprietário da Fazenda São José para que os trabalhadores rurais sem-terra possam colher os produtos já plantados na área. Um representante da ouvidoria deve ir à fazenda até amanhã para negociar prazo. ''A área fica assegurada ao proprietário'', destacou.
De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança, a Polícia Militar deve manter entre 20 e 30 homens nas proximidades da Fazenda São José para acompanhar a retirada do gado.
O coordenador estadual do MST em Peabiru (12 quilômetros ao norte de Campo Mourão), Luiz Alves, disse que as famílias alugaram o sítio em agosto de 2001 porque não tinham outra opção para montar acampamento na região. A expectativa era de que parte da área da Fazenda São José fosse desapropriada para implantação de um assentamento. Um decreto de desapropriação, segundo ele, chegou a ser publicado, mas com a demora na imissão de posse pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná, na gestão passada, o processo acabou sendo invalidado.
O dono da fazenda, Aloysio Ludvig, disse ontem que estava ''aliviado''. ''Vamos esperar esses três dias e torcer para que tudo dê certo.'' Ele não soube dizer o prejuízo que teve nos dois anos de ocupação da fazenda, mas disse que apenas na parte agrícola da propriedade deixou de produzir 10 mil sacas de soja por ano. (Colaborou Sid Sauer)

mockup