MST forma acampamentos perto de cidades
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quarta-feira, 11 de junho de 2003
Agência Estado 
Presidente Prudente, SP - A formação de novos acampamentos em locais próximos de cidades faz parte de uma estratégia da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para colocar o movimento outra vez em evidência, segundo o coordenador regional Valmir Luís Sebastião. ''Nos últimos dois anos, com a perseguição do (presidente) Fernando Henrique Cardoso, nós passamos a fazer mais um trabalho de base.''
O MST se dedicou, segundo ele, a cadastrar famílias nas cidades. ''Agora, com a sinalização do presidente Lula e do próprio governo estadual de que vai haver assentamentos, a ordem é mobilizar.'' Isso não significa, garante Sebastião, a retomada das invasões de terras particulares. ''Vamos para a beira de estradas perto das cidades, onde podemos ter acesso a escolas, postos de saúde e água.'' Nessas áreas, que são públicas, também é mais fácil atrair famílias novas para o movimento, segundo ele.
O superassentamento montado pelo ex-coordenador José Rainha Júnior em Presidente Epitácio, com mais de mil famílias, faz parte dessa estratégia, revelou Sebastião. Foram ocupados os acostamentos da SPV-35 pertencentes ao município. Embora Rainha estivesse afastado do movimento, ele mantém sua condição de militante, segundo o líder. ''As famílias cadastradas lá são do MST.''
Ontem o movimento começou a transferir para Sandovalina, outra cidade do Pontal, o Acampamento Osiel Alves, de Presidente Bernardes, com cerca de 120 famílias. O MST pretende instalar de 450 a 500 famílias no local. Os barracos estão sendo erguidos no acostamento da ligação Sandovalina SP-425. Segundo Sebastião, além dos já acampados como José Cícero, de 44 anos, que desde 92 vive sob a lona, famílias da cidade estão indo para o local. ''É gente desempregada, sem outra opção de vida, que vêem a chance de ter um pedaço de terra.''
Pelas contas do MST, o governo estadual pode arrecadar pelo menos 100 mil hectares na região.''Basta ter vontade.''
Os sem-terra colocaram barreiras de terra e grama sobre a pista para obrigar os motoristas a reduzirem a velocidade. O prefeito de Sandovalina, Divaldo Pereira de Oliveira (PMDB) disse que o acampamento vai trazer o caos à cidade de 7 mil habitantes. A prefeitura enfrenta dificuldades para atender a população local. Ao saber dos planos do MST, ameaçou: ''Vou entregar as chaves da prefeitura ao movimento.''
Terça-feira, ele aproveitou uma audiência de prefeitos com o secretário Alexandre Moraes para pedir providências. Moraes disse já ter solicitado ao setor jurídico do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), órgão que administra as rodovias estaduais, que entrasse com ação de reintegração de posse. A assessoria do DER informou que o órgão está negociando a desocupação amigável da rodovia. Caso não haja acordo, será requerido o despejo judicial.


