MST fecha agências do BB no Pontal
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terça-feira, 15 de dezembro de 1998
Agência Estado 
Com a participação de cerca de 480 pessoas - entre homens, mulheres e crianças -, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) bloqueou ontem quatro agências do Banco do Brasil no Pontal do Paranapanema (SP), impedindo o acesso de clientes e funcionários.
Segundo o gerente da agência de Teodoro Sampaio, Ronald Allen Coulter, os principais prejudicados foram os aposentados que não puderam retirar seus benefícios.
A ação dos sem-terra aconteceu uma semana após o principal líder na região, José Rainha Júnior, apresentar suas reivindicações ao presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Milton Seligmann, em Brasília.
Na ocasião, Seligman comprometeu-se a enviar imediatamente ao Pontal uma comissão formada por representantes do órgão e do Banco do Brasil para analisar os pedidos do MST. Até ontem a comissão não havia chegado a região.
O bloqueio impediu o funcionamento das agências de Teodoro Sampaio, Primavera, Presidente Bernardes e Santo Anastácio, e foi adotado para reivindicar a liberação de créditos de custeio e investimentos a famílias já assentadas e exigir uma auditoria do Incra no banco para apurar possíveis irregularidades na aplicação de recursos destinados aos beneficiários do programa de reforma agrária.
O superintendente do BB em Presidente Prudente, Walmir Rossi, negou irregularidades nas aplicações do programa de reforma agrária e disse que só este ano as agências do Pontal tiveram duas auditorias do Ministério da Fazenda. Segundo ele, nenhuma anormalidade foi constatada.
Depois do bloqueio das agências, os sem-terra encaminharam ofício a Seligman e ao presidente do Banco do Brasil, Paulo Cesar Ximenes, onde manifestam descontentamento com os atrasos nas liberações dos recursos do Programa Especial de Crédito para a Reforma Agrária (Procera).
No documento, o MST pede ainda alterações em linhas de crédito, revisão de cálculos sobre empréstimos já quitados e devolução de seguros que teriam sido impostos pelo banco a assentados.
De acordo com o coordenador regional do MST, Carlos Rainha, irmão do líder José Rainha, o bloqueio das agências começou às 8 horas, e, de início, os funcionários puderam entrar livremente. Às 12 horas os manifestantes decidiram impedir totalmente o acesso as agências.
Com isso, em Teodoro Sampaio, três funcionários que saíram para almoçar não puderam retornar. O gerente e outros sete funcionários foram obrigados a fazer a refeição, encomendada de um restaurante, na própria agência.
Segundo Rainha, a manifestação deve prosseguir hoje e nos próximos dias. Não sairemos enquanto nossas reivindicações não forem atendidas, afirmou. Ele não descarta a possibilidade de os sem-terra invadirem as agências.


