MST fecha agências do Banco do Brasil
Da Redação
Cerca de seis mil pessoas, segundo o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), invadiram ontem 13 agências do Banco do Brasil em várias cidades do Paraná e a sede da superintendência estadual do banco, em Curitiba, para exigir mair rapidez na liberação de recursos para custeio da safra de verão. Lideranças do movimento esperam para hoje a publicação de uma medida provisória do governo federal regulamentando a liberação de R$ 28 milhões como programa emergencial para o custeio.
Os recursos reivindicados fazem parte de um acordo entre o MST e o diretor agrário do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Eduardo Freire, firmado no começo do mês. O trato foi que cada família de sem-terra do Estado receberia R$ 2 mil para a safra de verão, o prazo para plantio está terminando e o banco ainda não sabe quando o dinheiro chega, afirmou um dos coordenadores da ocupação do MST, José Damasceno.
Segundo a superintendência do banco, das 13 agências no Estado apenas cinco não puderam abrir. Nas outras o trabalho foi normal. A direção do MST diz que foram 20 agências totalmente fechadas. No final da tarde de ontem os sem-terra concordaram em sair de todas elas. Mas hoje haverá nova ocupação se não for publicada a medida provisória.
A informação da publicação da liberação dos recursos foi repassada pelos próprios sem-terra ao superintendente estadual do banco, João Carlos de Mattos. Segundo ele, antes da contratação dos recursos pelo Banco do Brasil o Banco Central precisa regulamentar a linha de crédito emergencial. Foi marcada para hoje, às 9 horas, na sede da superintendência do Incra em Curitiba uma reunião entre representantes do MST, Banco do Brasil e do próprio Incra.
Em Londrina, a manifestação dos sem-terra aconteceu na agência BB Pioneiros, no Calçadão (área central). Logo que teve início o atendimento ao público, o banco foi ocupado por cerca de 100 sem-terra, entre homens, mulheres e crianças. Outras 100 pessoas ficaram do lado de fora da agência.
Segundo Antonio de Lima, um dos coordenadores do MST na região, a liberação de financiamentos à agricultura precisa acontecer ainda neste mês, época de plantio. Não adianta o banco ficar enrolando e liberar só em janeiro.
Na região de Maringá, o MST interrompeu o expediente de três agências do BB. Na cidade de Terra Rica (57 quilômetros a noroeste de Paranavaí), mais de 300 pessoas chegaram na porta da agência local do BB pouco antes do expediente. Em Querência do Norte (113 quilômetros ao norte de Paranavaí), cerca de 200 pessoas chegaram ao banco cerca de 30 minutos depois de iniciado o expediente.
A agência de Colorado (85 quilômetros ao norte de Maringá) foi ocupada por mais de 200 sem-terra, que conversaram com clientes e funcionários e liberaram o expediente do banco, permanecendo o resto do dia do lado de fora da agência.
Em Cascavel, aproximadamente 300 lavradores chegaram por volta das 12 horas em frente ao banco. Embora eles não tenham provocado incidente, a PM foi chamada pela gerência do BB e chegou a ter discussão entre lavradores e policiais alguns usando armas de cano longo, e com cachorros, mantidos em um carro apropriado.
O BB de Peabiru (12 quilômetros ao norte de Campo Mourão) foi ocupado pouco depois das 10 horas, fechando a agência. Os clientes que estavam lá dentro saíram, mas ninguém mais entrou, disse o assentado Dione Vieira, 32 anos. Todos os sem-terra são do assentamento Santa Rita, que há três anos abriga 85 famílias.
Precisamos do dinheiro para investir na lavoura, para a compra de criação e para nossas casas, explicou Dione. A maioria dos assentados ficou do lado de fora da agência, com bandeiras do MST, foices, facões e gritando palavras de ordem. A PM chegou a mandar reforço para a frente do banco, mas acompanhou a movimentação a distância. (Participaram Sid Sauer, Paulo Pegoraro, Lucilia Okamura, Ermerson Cervi e Marcos Zanatta).O protesto atingiu 13 agências e envolveu cerca de seis mil sem-terra, que exigem a liberação dos recursos para custeio da safra de verão
Albari RosaCobrançaMST reivindica recursos prometidos em um acordo entre o movimento e o Incra, firmado no começo do mêsEdson MazzettoEm Cascavel, a PM foi chamada pela gerência do BB e chegou a ter discussão entre lavradores e policiaisJosoé de CarvalhoEm Londrina, cerca de 100 manifestantes do MST entraram na agênciaSimone GirottoGrupo em frente à agência de Campo Mourão





