Dimitri do Valle
De Curitiba
Quatro dias depois do despejo da Praça Nossa Senhora de Salete, os sem-terra voltaram ontem ao local para realizar uma vigília. A intenção era acender até às 21 horas de ontem cerca de 800 velas que simbolizariam os agricultores retirados da praça pela Polícia Militar no sábado passado.
‘‘A vigília é mais um ato simbólico de repúdio à violência e às mentiras impetradas pelo governo do Estado do Paraná contra os trabalhadores rurais sem-terra’’, disse uma nota divulgada pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). Os manifestantes também leram mensagens de solidariedade enviadas por várias organizações internacionais.
Apesar do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ter anunciado a suspensão do diálogo com o governo do Estado, o Palácio Iguaçu insistiu pelo que as autoridades querem continuar as conversações sobre a reforma agrária. De acordo com a assessoria de imprensa do Palácio, a superintendência do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Paraná quer promover ‘‘um amplo debate’’ sobre a questão agrária no Estado.
A nota informa que as discussões envolverão o MST, governo e produtores rurais. O debate irá servir para a elaboração de um documento que se comprometeria a agilizar a distribuição de terras e terminar com a violência no campo. O secretário-chefe da Casa Civil, Pretextato Taborda, ressaltou no comunicado que o governo do Estado se mantém como ‘‘parte do processo de mediação, assim como já deu mostras de buscar incansavelmente o diálogo’’.
Para o MST, a vontade do governo para conversar após o despejo é ‘‘estranha’’. De acordo com Paulo Brizola, integrante da coordenação estadual do movimento, ‘‘como é que um governo vai mediar uma conversa, se ele toma parte na questão?’ Brizola disse que o governador não agiu com a mesma energia em relação as milícias armadas que feriram à bala dois sem-terra no interior do Estado. Sobre o chamamento para o debate, Brizola alegou que até ontem, nenhum convite oficial foi feito à coordenação. No entanto, descartou conversar com o governo e produtores rurais que são contra o MST.

mockup