Terezina - O MST fez a primeira invasão de terra do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em um Estado governado pelo PT, o Piauí. Na sexta-feira passada, 160 famílias de sem-terra entraram na fazenda Funil, em Altos (a 40 km de Teresina). Não havia segurança no local e não houve confronto.
A fazenda tem 1.800 hectares e já estava em processo de desapropriação desde o ano passado. Como o Incra (Instituto de Colonização e Reforma Agrária) ainda não havia realizado a vistoria, os sem-terra decidiram invadir a área para pressionar.
''Nunca houve trégua com o governo Lula, mas sim esperança de que ele consiga fazer a reforma agrária'', disse Adir Vicente, coordenador estadual do MST. ''Nós sempre apoiamos o Lula, mas vamos manter nossa autonomia em relação ao governo. Onde houver um latifúndio improdutivo, nós vamos invadir'', disse.
Até ontem, não havia sido pedida a reintegração de posse. Caso a Justiça determine a desocupação da área, a orientação do governador Wellington Dias (PT) é de que, em nenhuma hipótese, a polícia atue com violência contra as pessoas que estão acampadas.
''O governo não vai se posicionar politicamente em relação ao fato. O movimento está fazendo o papel dele, que é legítimo'', disse o secretário da Agricultura, Sérgio Vilela, que esteve sábado no local.
Na ocasião, o governo enviou 160 cestas básicas para as famílias sem-terra. Também estão sendo providenciados remédios e mais lona para a montagem das barracas, já que tem chovido na região.
O superintendente do Incra no Estado, Francisco Carlos de Araújo, afirmou que agora está impedido de vistoriar a fazenda Funil por causa da medida provisória nº 2.027, que proíbe a vistoria de áreas invadidas.
Segundo ele, faltam recursos materiais para enviar técnicos para o local. As verbas já foram pedidas ao governo federal.
No dia 9, o MST havia realizado a primeira ação do ano. Mais de 200 sem-terra invadiram e ficaram por algumas horas dentro de uma agência do Banco do Nordeste em Nossa Senhora da Glória (SE), para pressionar pela liberação de créditos para pequenos investimentos em terras.
Anteontem, o Ministério do Desenvolvimento Agrário suspendeu temporariamente o programa Banco da Terra, que fornece crédito para agricultores comprar pequenas propriedades.
De acordo com a assessoria do ministério, o programa foi suspenso pois foram identificadas irregularidades e ''desvios de finalidade'' na execução do programa.

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