MST faz manifestação com PT no Pontal
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sábado, 15 de março de 1997
Agência Estado e Agência Folha, 
de São Paulo
Arquivo FolhaConfiançaNuma das muitas ocupações feitas no Paranapanema, a primeira providência dos sem-terra foi fincar uma Cruz cristã no chão, para marcar a posse da terra e significar a expressão de sua confiança na proteção de DeusCom a participação dos principais dirigentes do PT, entre eles Luiz Ignácio Lula da Silva, Luiza Erundina, José Dirceu e o senador Eduardo Suplicy, além do presidente da CUT, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) promove hoje em Teodoro Sampaio (SP) aquela que pretende ser a maior manifestação já realizada na região em favor da reforma agrária. Vários senadores, 20 deputados federais, oito estaduais e pelo menos 60 ônibus transportando militantes também são esperados para a manifestação.
Segundo o dirigente nacional do MST, Gilmar Mauro, que desde a decretação da prisão preventiva de José Rainha Júnior e outros quatro dirigentes dos sem-terra, assumiu a coordenação do movimento no Pontal, a manifestação de hoje significa a união definitiva da sociedade em favor da reforma agrária. Com a mobilização maciça de sua direção e militantes, a partir de amanhã (hoje) o PT assume de fato a luta pela reforma agrária, disse.
De acordo com Mauro, as manifestações serão realizadas durante todo o dia, começando por volta de 9 horas no acampamento Taquaruçu, ao lado da Fazenda São Domingos, onde oito sem-terra ficaram feridos durante tentativa de invasão da propriedade em 23 de fevereiro. Ali haverá um ato em protesto contra a decretação das prisões preventivas dos dirigentes do MST. Os pronunciamentos acontecerão perto da lavoura de milho que os sem-terra plantaram durante sucessivas invasões.
Depois, os manifestantes se concentrarão em Teodoro Sampaio, onde além de novos pronunciamentos acontecerá a inauguração de uma réplica do monumento que o arquiteto Oscar Niemeyer ofereceu a Eldorado dos Carajás. No período da tarde serão realizados diversos shows artísticos que se prolongarão até a noite.
Nova invasãoCerca de 30 famílias de trabalhadores sem terra invadiram sexta-feira à noite a Fazenda Indiana, em Caiuá (650 km a oeste de São Paulo). A área pertence ao empresário César Lima, irmão do deputado federal Paulo Lima (PFL-SP). A ocupação foi totalmente pacífica. Os sem-terra entraram pela porteira, disse o delegado de Caiuá, Ernâne Custódio Erbella.
A ocupação foi organizada pelo Movimento Brasileiros Unidos Querendo Terra, uma dissidência do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) que atua no Pontal do Paranapanema (extremo oeste de São Paulo). Segundo o delegado, os trabalhadores, que estavam acampados do lado de fora da fazenda, ameaçavam ocupá-la havia cerca de 15 dias. Por volta das 19h30 de anteontem, decidiram invadir a área.
Segundo assessores do deputado Paulo Lima, a família deverá entrar com pedido de reintegração de posse da área amanhã. Até que haja uma decisão judicial, a ocupação deverá continuar. A assessoria do deputado negou que a fazenda seja improdutiva. A área, de cerca de 500 alqueires, estaria sendo usada para o plantio de milho e criação de gado bovino. O empresário César Lima, dono da fazenda, está nos Estados Unidos.
TensãoO Comando da Polícia Militar de Naviraí, no Mato Grosso do Sul, desativou ontem o serviço de vigilância nas estradas da Fazenda Santo Antônio, depois que os sem-terra renderam três soldados da guarda e tomaram deles seis armas, incluindo uma metralhadora.
O plantão nas estradas foi recomendado pelo juiz Danilo Burim, atendendo pedido do proprietário da fazenda que queria impedir a chegada de novos acampados. Os grupos continuam chegando de várias partes do Estado e estão ampliando o clima de tensão, segundo o advogado Régis Tortorella.
Um soldado que trabalhava de plantão em Naviraí, disse que os sem-terra danificaram completamente a viatura da polícia que era nova. Escreveram MST e humilharam os soldados, disse ele. O clima entre os policiais militares era de revolta. A maioria se diz mais motivada agora para cumprir a determinação judicial de despejo.


