MST faz denúncia ao Brasil na OEA
MST faz denúncia ao Brasil na OEA
A acusação cita massacre de sem-terra e assassinatos cometidos no Pará e pode prejudicar negócios do país
Carlos Mendes
Agência Estado
O advogado do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Pará, Carlos Amaral, informou ontem que a entidade denunciou o Brasil por violação dos direitos dos sem-terra na Comissão Internacional de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Amaral citou como exemplos marcantes do desrespeito aos direitos humanos o massacre de 19 sem-terra pela Polícia Militar em Eldorado dos Carajás, em 17 de abril de 96, e os assassinatos de Onalício Araújo e Valentim Serra, líderes do MST em Parauapebas, em março.
Amaral afirmou que o Brasil sentirá brevemente o impacto da denúncia do MST à OEA. Haverá prejuízo nos investimentos de bancos internacionais no Brasil, pois há proibição estatutária de não conceder empréstimos e financiamentos para países que não cumprem tratados de direitos humanos, garantiu o advogado. Quanto à libertação do fazendeiro Carlos Antonio Costa, o Carlinhos, acusado de ser o mandante da morte dos líderes do MST, disse caber ao Ministério Público do Pará contestar a decisão do Tribunal de Justiça.
Invasão na Bahia Dez dias depois de terem sido despejados por ordem judicial, 300 trabalhadores rurais ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, voltaram a ocupar domingo a Fazenda Santa Maria, situada no município de Feira de Santana, a 108 quilômetros de Salvador. Funcionários da fazenda, que pertence ao ex-banqueiro Ângelo Calmon de Sá, tentaram convencer os sem-terra a deixar o local ontem de manhã. Eles argumentavam que tinham uma liminar de reintegração de posse da área expedida pela 1ª Vara Cível da Comarca de Feira de Santana. Os trabalhadores, no entanto, decidiram permanecer no local e correm o risco de prisão.
Por orientação do MST, os trabalhadores acamparam num ponto distante da ocupação anterior, iniciada em 25 de abril. Os dirigentes Luciano Fernandes e Sinésio Costa garantem que a maior parte das terras da Fazenda Santa Maria é ociosa e que eles já pediram ao Incra uma vistoria para desapropriar o local.





