São Paulo, 08 (AE) - Cerca de 60 pessoas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e da Secretaria Nacional de Mulheres do Partido dos Trabalhadores (PT) fizeram, hoje, um ato de apoio à sequestradora chilena do empresário Abílio Diniz, Maria Emilia Marchi Badilla. O protesto pelo cumprimento do acordo entre o Brasil e o Chile, que prevê a transferência da presa para seu país, ocorreu em frente da Penitenciária Feminina do Butantã, onde ela está detida.
Segundo o coordenador nacional do MST, João Pedro Stédile, além de homenagear o Dia Internacional da Mulher, o ato ressalta a luta das mulheres. "A de Maria Emilia é emblemática e os presos pelo sequestro de Diniz devem ser soltos", disse.
Breno Altman, do Comitê pela Libertação dos Presos Políticos, garantiu que uma decisão sobre a transferência de Maria Emilia e dos outros quatro chilenos presos deve sair entre os dias 18 e 30. "Eles vão esperar até o fim de março para avaliar que decisão tomar", afirmou Altman. Há ainda dois argentinos detidos com situação indefinida. Viagem - Os manifestantes, 90% mulheres, chegaram em ônibus e Vans, vindos de Porto Feliz, no interior, da invasão Nova Canudos. Muitas trouxeram crianças, como Sílvia Lis, que veio com Jaqueline, de 10 meses.
"Fizeram no acampamento uma reunião no sábado, nos chamando para visitar uma companheira presa e aceitei", disse Sílvia. Ela é de Araras e sempre morou na cidade.
Stédile e uma comissão de sete mulheres visitaram Maria Emilia por 40 minutos. Levaram flores e o livro "Pessoas Extraordinárias - Resistência, Rebelião e Jazz", de Eric Hobsbawn. Segundo Tatau Godinho, do PT, a presa disse ter esperança de que seja cumprido o acordo. "Mas está revoltada com a indefinição", afirmou.
"Ela se emocionou com nosso protesto e disse que se identifica com a causa: mulheres em luta pela terra", disse Maria Rodrigues, do MST. (Marisa Folgato)

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