MST faz ameaça e a UDR quer reagir
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quarta-feira, 09 de setembro de 1998
Israel Reinstein e Marcos Zanatta 
O dirigente nacional Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), João Pedro Stédile, aposta que a crise internacional das bolsas deve quebrar o Brasil antes mesmo das eleições. Stédile, que esteve ontem em Curitiba, participando da Marcha pelo Brasil, afirmou que as medidas econômicas propostas pelo governo federal apenas mascaram a real situação. O governo tem que cortar o envio de dinheiro para o exterior, além de mexer no câmbio e baixar os juros, disse.
Para Stédile, o presidente Fernando Henrique Cardoso, ao baixar os cortes no orçamento, teria agido como Silvério dos Reis (personagem histórico que traiu Tiradentes). Por causa disso, disse, o MST deverá intensificar as invasões de terras.
No Estado, o MST deve se reunir hoje com a superintendência do Incra, pedindo o assentamento de 7 mil famílias sem-terras. Segundo coordenador do MST regional, Roberto Baggio, o Incra não teria aplicado nem 25% dos recursos destinados a reforma agrária. Eles também querem que o governo estadual libere R$ 5 milhões, do Paraná 12 Meses, para as famílias assentadas. Caso não consiga nenhuma das reivindicações, Baggio afirmou que o MST deverá tomar medidas extremas para pressionar o Incra e governo estadual.
Ontem, o centro de Curitiba ficou parcialmente interditado por causa da Marcha pelo Brasil, organizada pelo MST. Com passeatas pela manhã e tarde, os 4 mil manifestantes, de acordo com o MST, ou 2 mil, segundo a Polícia Militar, pediam maior agilidade nos assentamentos do Paraná, com liberação de recursos estadual e federal para os agricultores hoje assentados.
A União Democrática Ruralista (UDR), da região de Paranavaí, quer mobilizar todas as entidades que representam o setor rural do Estado contra a falta de ação do governo em relação às invasões de propriedades. Ontem pelo menos 60 produtores participaram de uma reunião da UDR, em Paranavaí, onde ficou decidida a convocação de sociedades rurais e sindicatos patronais. Até agora de tarde estamos com 208 propriedades invadidas por sem-terra em todo o Paraná, disse ontem o presidente da UDR, Marcos Prochet.
Ele calcula que pelo menos sete entidades já participaram de reuniões anteriores, e estão mobilizadas na defesa do direito de propriedade. Os sem-terra estão invadindo até propriedades sub júdice e áreas inscritas em programas oficiais, e o governo não faz nada, lamenta Prochet. A idéia de unir as forças produtivas do campo contra as invasões.


