Albari RosaAcertoBaggio (de boné) conversa com Iurk na ocupação do Ibama, anteontem

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) fechou um acordo no final da tarde ontem com a superintendência do Incra no Paraná. Pelo acordo, o Incra se compromete a fazer uma nova vistoria na Fazenda Pinhal Ralo, em Rio Bonito do Iguaçu (Oeste do Estado), de propriedade da madeireira Giacomet-Marodin. Em contrapartida, os sem-terra prometem não invadir nenhuma nova área até o dia 15 de março, data limite para a conclusão da nova vistoria na fazenda.
Os sem-terra se comprometem também a respeitar as áreas de preservação ambiental e a interromper as migrações em andamento, o que significa o cancelamento de novas invasões programadas para os próximos dias, entre elas uma na região de Londrina, que prometia ser ‘‘a maior do Brasil’’.
Com a nova vistoria, a expectativa do MST é conseguir a desapropriação total da fazenda, de 81,9 mil hectares. Até agora, a madeireira vendeu 16,7 mil hectares ao Incra. O valor de venda foi de R$ 16,6 milhões pagos em Títulos da Dívida Agrária (TDAs), pelo valor da terra nua, e R$ 890 mil em dinheiro, pelas benfeitorias.
Na época da ocupação da fazenda, em abril do ano passado, os donos da empresa se propuseram a negociar a venda de parte da fazenda, alegando inclusive que precisariam de dinheiro para novos investimentos. Hoje, a empresa se nega a vender uma parte maior porque informa que investiu R$ 30 milhões na instalação de uma fábrica de papel em Quedas do Iguaçu, que vai gerar 1.500 empregos.
A superintendente regional do Incra no Paraná, Maria de Oliveira, disse ontem a representantes do MST que o cancelamento do plano de manejo da fazenda, determinado pelo Ibama, pode abrir uma possibilidade de desapropriação de toda a fazenda. Uma comissão dos 400 sem-terra, que chegaram quinta-feira, em Curitiba, passou o dia todo de ontem reunida com a superintendente do Incra.
Segundo ela, nos próximos dias a área será submetida a uma nova vistoria da qual devem participar técnicos do Incra, Ibama e Secretaria do Meio Ambiente. A previsão é que o relatório com os dados da nova vistoria fique pronto até meados de março.
InvestimentoNenhum diretor da empresa Giacomet-Marodin foi encontrado ontem pela reportagem da Folha. Todos estavam viajando, conforme informou o assessor de imprensa da empresa, César Setti.
Segundo ele, a empresa mantém a disposição de não vender uma área maior da fazenda, o que comprometeria o trabalho de uma fábrica de papel que será inaugurada em abril em Quedas do Iguaçu. ‘‘A fábrica custou R$ 30 milhões e vai gerar 1.500 empregos’’, explicou Setti.
Depois da reunião, os sem-terra voltariam para suas regiões de origem. Além do caso da Pinhal Ralo, eles discutiram a situação de 81 áreas já vistoriadas no Estado, das quais 80% foram consideradas passíveis de desapropriação para reforma agrária.
Segundo Roberto Baggio, da coordenação do MST, 25 áreas já têm decreto de desapropriação assinado, faltando apenas a imissão de posse pelo Incra. O MST pediu ao Incra a agilização no encaminhamento destes processos.

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