SÃO PAULO - O líder sem-terra no Pontal do Paranapanema (SP), José Rainha Jr., está organizando uma passeata para mostrar ao governo o ‘‘poder de fogo’’ do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A idéia é reunir cerca de dez mil pessoas, potenciais invasores cadastrados pelo movimento. Eles devem marchar seis quilômetros a partir do acampamento Santa Rita, em Mirante do Paranapanema, até Teodoro Sampaio (710 quilômetros a oeste de São Paulo).
Até o dia 31, data da manifestação, as invasões estariam suspensas, segundo Rainha, como crédito pela reaproximação do governo. ‘‘O governo está sinalizando. Vamos aguardar. Se não houver resultado, a ocupação é uma consequência.’
O prazo para a ‘‘trégua’’ coincide com o final das vistorias do Incra em 184 fazendas do Pontal do Paranapanema (extremo oeste de São Paulo), para saber quais são improdutivas.
Em Coroados (505 quilômetros a noroeste de São Paulo), 27 famílias de sem-terra invadiram, pela segunda vez em menos de um mês, a fazenda São Bento, do grupo agropecuário Asada. O advogado do grupo Augusto Carlos Fernandes Alves disse que os invasores estão impedindo três arrendatários de colherem a roça de tomate no final de semana.
As 70 famílias que na última quinta-feira invadiram a fazenda Igaraí, em Pereira Barreto (625 quilômetros a noroeste de São Paulo), deixaram a área depois de plantar dois alqueires de feijão e voltaram para a estrada. Os invasores se adiantaram à ordem do juiz Antonio Ventura, que concedeu liminar para reintegração de posse.
O advogado do fazendeiro, Francisco Paschoal Neto, pediu à PM que vigie a reconstrução de 200 metros de cerca destruídos.

mockup