Integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do assentamento Dorcelina Folador antiga Fazenda São Carlos , em Arapongas (37 km a oeste de Londrina), expulsaram ontem quatro famílias de agricultores que moravam no local. O grupo alega que a expulsão foi uma represália da direção do MST porque não concordavam em participar de novas invasões de terras.

Outras nove famílias do mesmo assentamento já haviam sido despejadas, em abril do ano passado, pelo mesmo motivo. Na fazenda de 326 alqueires estão assentadas 94 famílias.

Segundo o agricultor expulso, Vitório Zoz, as famílias foram obrigadas a deixar o assentamento, ameaçadas com armas de fogo. ''Deram pelo menos sete tiros. Arrombaram as portas e exigiram que a gente saísse'', relatou. Zoz afirmou que foram surpreendidos logo no início da manhã. Seus pertences foram ''jogados'' em um caminhão e levados até a estrada de acesso à Vila Rural Novo Mundo, próxima ao assentamento.

Zoz contou que foram para o assentamento há cerca de dois anos, depois que a Prefeitura de Arapongas fez um acordo entre o Banco do Brasil, o MST e o Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Pelo acerto, 50% dos assentados seriam do MST e os outros 50% indicados pelo município.

Desde essa época, Zoz relatou que não foram mais aceitos dentro do movimento. ''Eles proibiram até que a gente plantasse. Quando nós entramos na fazenda, o Incra garantiu que no máximo em dois meses a nossa situação seria regularizada'', contou.

O diretor do Departamento de Fomento e Abastecimento Rural da Prefeitura de Arapongas, Braz Devair Nonis, afirmou que o município tentou dialogar com o Incra. ''O responsável por tudo isso é José Carlos (de Araújo Vieira), superintendente do Incra no Paraná'', disse. As famílias, segundo ele, receberiam alimentação e seriam alojadas provisoriamente num salão paroquial na periferia de Arapongas. Na próxima semana, elas devem ser levadas para outra área.

A Folha tentou ouvir os líderes do MST no assentamento. Um grupo de agricultores disse que não estava autorizado a dar entrevista e as lideranças não estavam no local. O líder Renato Rener não foi localizado.

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