MST expulsa dois deputados de reunião
Dimitri do Valle
De Curitiba
Dois deputados estaduais da bancada ruralista foram impedidos de acompanhar uma reunião entre representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Cerca de 250 sem-terra que estavam na tarde de ontem no auditório da sede do Incra, em Curitiba, protestaram com vaias e xingamentos contra a presença dos deputados Divanir Braz Palma (PST) e Luiz Acorsi (PTB).
Após três horas de discussões, a reunião foi cancelada pelo superintendente do Incra no Estado, José Carlos de Araújo Vieira. Ele entendeu que não havia clima para prosseguir as conversações. Novo encontro foi marcado para 9 horas de hoje sem a presença de deputados da bancada ruralista. A agenda de ontem previa o anúncio da liberação dos primeiros 5,5 mil hectares de terra no Estado para assentar famílias de agricultores sem-terra.
Mesmo com a confusão, o superintendente do Incra garantiu que o diálogo com o MST iria continuar. Vieira defendeu que deputados de várias facções estivessem presentes para haver um equilíbrio (de forças) durante a reunião. A superintendente-adjunta do Incra, Maria Rozalina Arend, esclareceu que foi o instituto que decidiu que a Assembléia Legislativa deveria estar representada no encontro. Divanir Braz Palma foi o representante da Casa por causa da ausência do primeiro-secretário da mesa diretora, deputado Hermas Brandão (PTB). Acorsi recebeu o convite de Palma para acompanhá-lo.
Os dois deputados não tiveram nem tempo de se acomodar no auditório e foram recebidos com revolta pelos sem-terra. Os integrantes do MST chamaram os parlamentares de assassinos, jagunços e deputado pistoleiro por causa das ligações dos políticos com a União Democrática Ruralista (UDR). Nervoso, Acorsi foi o primeiro a deixar o local. Qual o telefone do comandante da PM?, perguntou o deputado a Vieira que o acompanhou até o seu gabinete.
Divanir Braz Palma resolveu ficar e continuou sendo alvo dos xingamentos. O deputado bateu boca com um dos coordenadores do MST no Estado, Roberto Baggio. Na Assembléia vocês sempre foram bem recebidos, defendia-se Palma. Baggio insistia que Palma deveria se retirar. A discussão não é com vocês, não há espaço aqui dentro para quem incita a violência contra os trabalhadores, disparou. Ireno Prochnow, outro integrante da coordenação do MST, acusou os deputados de atrapalhar a audiência. Nós nunca metemos o nosso nariz na reunião de fazendeiro nenhum, disse.
Como Palma foi irredutível, os sem-terra é que saíram primeiro do auditório. O deputado se refugiou num dos andares do Incra. Ele disse que ficou surpreso com a recepção. A Assembléia Legislativa tem se esforçado para agilizar a reforma agrária no Estado. Eles estão equivocados porque somos nós que lutamos para a reforma agrária dar certo. O deputado ainda teve de enfrentar, por volta das 18 horas, nova sessão de protestos. Nós saímos derrotados. Eles estão nos enxotando: o poder Legislativo e a superintendência do Incra.Os deputados haviam ido à sede do Incra para acompanhar o encontro que previa o anúncio da liberação de áreas para assentar famílias sem-terra
Mauro FrassonDiscussãoO clima ficou tenso na sede do Incra: as lideranças dos sem-terra não aceitaram presença de deputados ruralistas





