MST espera colocar mais de 30 mil pessoas em marchas pelo País
Brasília, 14 (AE) - A direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) calculou hoje, em Brasília, que mais de 30 mil pessoas ligadas ao movimento irão às ruas, a partir de amanhã (15), em marchas e manifestações em vários Estados. De acordo com líderes do movimentos, as manifestações deverão ser realizadas em mais de 20 Estados.
As marchas dos sem-terra são em protesto contra a nova política agrária do governo e a não punição dos responsáveis pela morte de 19 sem-terra em Eldorado dos Carajás, ocorrida em 1996. Pontal - Cerca de 550 trabalhadores ligados ao MST do Pontal do Paranapanema (SP), divididos em duas colunas, começaram hoje a marcha de protesto em direção a Presidente Prudente onde, sexta feira, será realizado ato público que pretende reunir mais de três mil pessoas. Uma terceira coluna, com pelo menos 300 pessoas, parte amanhã de Presidente Bernardes, com o mesmo destino. A programação para a capital paulista, que não tinha sido fechada hoje à noite, inclui uma grande marcha, com a chegada prevista para o dia 30 ao centro de São Paulo. Pará - O MST vai realizar várias manifestações no Pará, Estado com histórico de muitas mortes no campo. São esperados mais de 2 mil sem-terra na Praça da Leitura, em Belém, a partir de sexta-feira, onde ficarão acampados na companhia de desempregados e sem-teto. No sábado, os sem-terra pretendem realizar caminhada e depois plantar 19 árvores no centro da cidade, para lembrar as mortes de Eldorado dos Carajás.
Na cidade de Eldorado, os sem-terra irão inaugurar um monumento feito com 19 castanheiras mortas, segundo eles com o nome de Massacre da Amazônia. Serão realizadas manifestações também em Tucuruí e em Marabá, onde os sem-terra querem levar 4 mil pessoas para um ato na frente do Tribunal de Justiça. O MST confirmou hoje marchas rumo a Salvador (BA), Goiânia (GO), João Pessoa (PB), Natal (RN), Maceió (AL), Campo Grande (MS) e São Luís (MA), entre os Estados que já tinham programação detalhada. Repercussão - Organizações ambientalistas e defensoras de direitos humanos da Alemanha realizarão protesto amanhã, durante visita do presidente Fernando Henrique Cardodo a Bonn, contra o projeto piloto do Banco Mundial denominado Cédula da Terra. As entidades, em carta aberta que será entregue ao governo alemão, afirmam que o projeto ameaça a reforma agrária no Brasil.





