Curitiba, 04 (AE) - O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) está esperando cerca de 5 mil pessoas para as manifestações que serão realizadas em Curitiba, a partir de terça-feira. Aproximadamente 800 sem-terra estão se dirigindo à capital em caravanas que saíram de Querência do Norte e Terra Rica, no noroeste do Estado, e de Cascavel, no oeste. O objetivo é protestar contra a forma como vem ocorrendo as desocupações de terra que, segundo o MST, são repletas de ilegalidades, violência e parcialidade.
Ontem (03), os sem-terra abriram as cancelas de pedágio da BR-376, nas proximidades de Ponta Grossa, entre o meio-dia e as 14 horas, quando passaram pelo local aproximadamente 3 mil veículos sem pagar a tarifa. A assessoria de imprensa da concessionária Rodonorte disse que foram danificados alguns sensores eletrônicos. A coordenação do MST em Curitiba negou que tivesse ocorrido qualquer problema com os equipamentos.
Na marcha, os sem-terra levam bandeiras do MST e vários cartazes criticando as 14 desocupações realizadas pela Polícia Militar no Estado nos últimos meses, que resultaram em 41 prisões. Amanhã (05), os manifestantes devem chegar nas proximidades de Campo Largo, de onde virão a Curitiba, ficando inicialmente acampados no Parque Barigui, na entrada da cidade.
Terça-feira pela manhã, eles programaram uma passeata, com um ato em frente à Catedral Metropolitana, antes de se dirigirem à praça do Palácio Iguaçu, sede do governo estadual, onde montarão o acampamento.
Quando chegarem em Curitiba, os sem-terra não encontrarão o governador Jaime Lerner (PFL). Ele viaja ainda hoje para Nova York (EUA), onde assistirá ao casamento de sua filha, e volta apenas no dia 16. O líder do MST em Curitiba, Dirceu Boufler, disse que a mobilização em Curitiba não tem data para terminar e que os sem-terra aguardarão o retorno de Lerner. O objetivo do movimento é conversar com o governador sobre os problemas ocorridos nas desocupações de terras.
"Ficaremos aqui, porque queremos resolver os problemas que estão acontecendo no campo", disse.
Hoje, a polícia prendeu três pessoas acusadas de estarem roubando 36 cabeças de gado da Fazenda Corumbataí, conhecida como Sete Mil, em Ivaiporã, que está ocupada por sem-terra. Eles foram presos depois de denúncias anônimas e de a polícia ter feito um cerco na fazenda. De acordo com o MST, Ademar Benigni, de 44 anos, Luiz Carlos de Souza Volochen, de 36, e Geraldo Penteado, de 27, não fazem parte do movimento.
Interrogado, Benigni disse que não comprara o gado, tendo sido contratado apenas para transportá-lo. Ele não revelou quem o contratou. Os três pagaram fiança e responderão a inquérito em liberdade. O coordenador do MST no Paraná, Roberto Baggio, acredita que se trata de uma "armação". "Suspeitamos que faz parte de uma grande armação política", disse. "Teria relação com a chegada da marcha, no sentido de desviar a atenção da denúncia que o movimento vem fazendo de perseguição política."

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