Salvador, 14 (AE) - Militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e policiais militares entraram em conflito, hoje, em Itabuna, a 439 quilômetros da capital baiana, após sete ônibus do movimento serem parados em uma barreira. No tumulto, os sem-terra jogaram pedra nos policiais que responderam atirando para o alto. Nove militantes do MST e dois estudantes espanhóis que visitam o assentamento dos sem-terra foram presos.
A confusão teve início quando sete ônibus que transportavam militantes do MST para os festejos dos 500 anos do Descobrimento, em Porto Seguro (BA), foram parados por patrulheiros rodoviários com apoio da Polícia Militar, na BR-101
no trecho próximo à entrada de Itabuna. Segundo a polícia, a documentação dos veículos estava regular. Porém, ao ao pedirem as carteiras de identidade dos passageiros, descobriram os dois cidadãos espanhóis, com vistos de turistas. Ambos foram levados para a delegacia local e posteriormente à sede da Polícia Federal, na vizinha cidade de Ilhéus, para averiguação.
A medida revoltou os militantes que decidiram bloquear os acessos rodoviários de Itabuna. Na tentativa de liberar a pista principal, PMs investiram contra os trabalhadores rurais e foram recebidos a pedradas. Alguns soldados responderam da mesma forma, atirando pedras, outros dispararam suas armas para o alto provocando correria entre os sem-terra. Um grupo de 70 pessoas permaneceu na entrada de Itabuna, outros 200 se refugiaram na sede do MST no centro da cidade e cerca de 150 se dispersaram pelas ruas. Três soldados ficaram feridos no confronto; nove militantes foram presos e autuados por agressão. Boatos - Cercada na sede do MST de Itabuna, Rosa Oliveira, uma das lideranças estaduais do movimento, disse, no início da tarde
que os boatos de que o governo da Bahia tentaria impedir o acesso dos militantes de organizações populares a Porto Seguro, durante as comemorações dos 500 anos, se concretizaram. "Os policiais disseram ter recebido ordens superiores para impedir nossa passagem", contou. Segundo ela, os militantes estão sendo pressionados a voltar para seus acampamentos e entregar sete líderes do MST à polícia. "Nossos advogados estão tentando conseguir habeas-corpus para impedir uma invasão à sede do MST pelos policiais e garantir nosso livre acesso a Porto Seguro", disse.
Já o comandante da PM em Itabuna, tenente-coronel Gilberto Santana, negou a existência de qualquer determinação do governo para bloquear o acesso do MST, atribuindo a informação ao jogo político do movimento. "A recomendação é para abordarmos os ônibus que estão indo para lá, devido ao grande número de autoridades que participará da festa", disse. De acordo com o policial, os nove militantes do movimento foram presos porque agrediram os policiais. Embora Santana tenha afirmando que os ônibus estavam liberados, Rosa insistia que a liberação é para seguir em qualquer direção, fora Porto Seguro.
O MST só estava disposto a sair de Itabuna sem as supostas restrições de acesso da PM e a libertação dos militantes presos.

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