MST em Minas ameaça radicalizar
As 600 famílias de sem-terra e assentados acampados há três dias na margem do Rio São Miguel, em Uruana, ameaçam radicalizar caso o governo federal não abra negociação com as lideranças do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) até a tarde de hoje. O prazo foi fixado ontem, após a Polícia Militar devolver aos sem-terra a carreta apreendida domingo, quando as famílias tentavam chegar à Fazenda Renascença, do embaixador do Brasil na Itália, Paulo Tarso Flecha de Lima, a 20 quilômetros do acampamento. Houve conflito com a PM e 30 manifestantes ficaram feridos.
Os sem-terra e assentados ameaçam aumentar o número de manifestantes no local. Se não houver acordo, vamos engrossar o movimento, disse o líder do MST, Jorge Augusto Xavier, se referindo a famílias de 17 assentamentos. Não vamos é voltar para casa só com promessas. Xavier afirmou que cerca de 300 famílias estão mobilizadas nos acampamentos e, se necessário, poderão se deslocar a qualquer momento para Uruana.
Os manifestantes reivindicam aumento no valor do crédito de custeio, de R$ 9,5 mil para R$ 17,6 mil por família, parcelamento das áreas já desapropriadas, além de R$ 3.500,00 para fomento e R$ 6 mil para habitação. Eles também querem um auxílio-alimentação de R$ 180,00 por mês durante um ano para cada família.
A Polícia Militar, que fez anteontem uma barricada na ponte, fechou na manhã de ontem um acordo com os manifestantes. Devolveu a carreta dos sem-terra, retirou os policiais que estavam bloqueando a ponte e reduziu de 110 para 90 homens o seu efetivo no local do conflito. (Chico Araújo, Agência Estado)





