MST e UDR acirram confronto no Pontal
Sob clima de ameaças, Movimento Sem-Terra (MST) e União Democrática Ruralista (UDR) prometem travar hoje uma disputa territorial pela supremacia no Pontal do Paranapanema, região de conflito fundiário no extremo oeste de São Paulo. Em disputa está a fazenda São Domingos, em Sandovalina (640 km a oeste de São Paulo), palco de confronto que deixou seis sem-terra feridos a bala em fevereiro. Apenas uma cerca de arame farpado vai separar ruralistas armados - dispostos a defender a propriedade - de pelo menos 600 sem-terra, que querem discutir, no acampamento Taquaruçu, quando vão invadir a área.
Além de fazer uma demonstração de força, os ruralistas pretendem realizar um ato político hoje. A UDR vai montar um palanque para discutir a formação de brigadas oficiais, supostamente amparadas por dispositivos da Constituição, para proteger as propriedades. Está prevista a participação do presidente do Sinapro (Sindicato Nacional dos Produtores Rurais), Narciso Clara, que já solicitou a intervenção do Exército no Pontal.
O vice-presidente da UDR, Guilherme Prata, desafiou o dirigente nacional sem-terra Gilmar Mauro a liderar hoje a invasão da fazenda São Domingos, em Sandovalina. Quero o Gilmar Mauro puxando a invasão. Vamos ver se ele tem coragem ou se vai ser covarde e colocar mulher e criança na frente, afirmou Prata. O líder ruralista coordenou a formação de uma milícia de resistência dos fazendeiros.
Mauro não deve participar da assembléia dos sem-terra no acampamento Taquaruçu. Ele disse que tem viagem programada para o Pontal do Paranapanema na próxima semana. Prata nega que os fazendeiros pretendam estar armados, mas se contradiz quando fala em resistir a uma eventual invasão dos sem-terra. Se eles resolverem invadir, vão achar o que estão procurando, vamos ter como responder à altura, afirmou.
O dirigente da UDR cobrou do governo vistorias nos assentamentos da região, para comprovar produtividade. Se esse governo tem um pingo de vergonha na cara, que faça isso. Prata disse que o governo estadual incentivou a retomada das invasões em São Paulo ao assinar decreto que prevê acordos para arrecadação de áreas para assentamentos. A medida foi firmada pelo governador Mário Covas.
A iminência do confronto preocupa o coronel José Ferreira de Souza Filho, comandante da Polícia Militar de Presidente Prudente, que vai enviar um destacamento para impedir novos choques. Segundo o coronel, haverá policiais entre os grupos rivais. Além disso, a PM está realizando, desde sexta, uma operação de desarmamento nas principais estradas de acesso às fazendas em conflito.
A tensão voltou ao Pontal no início da semana, quando o MST anunciou o fim da trégua de invasões e divulgou lista das fazendas visadas. Em três das propriedades citadas - São Domingos, Santa Rita e Santa Irene -, já houve conflitos armados. A resposta dos ruralistas foi imediata. Sob comando do vice-presidente da UDR, Guilherme Prata, eles começaram a organizar milícias para enfrentar os sem-terra.
Pedindo sigilo, ruralistas dizem ter um arsenal de armas, como carabinas e escopetas, além de cães, coquetéis Molotov - bomba incendiária caseira - e lunetas, para observar os movimentos dos sem-terra na área. O coordenador estadual do MST Wagner Gomes dos Santos acusa os fazendeiros de contratar PMs aposentados e em férias para fazer a segurança nas propriedades.
O presidente da UDR, Roosevelt Roque dos Santos, que vinha com discurso moderado, radicalizou. Se as autoridades não exercerem os atos para dar segurança às propriedades, vão abrir espaço para os fazendeiros se defenderem com tudo o que for necessário, afirmou Santos à Agência Folha. Os fazendeiros negam ter contratado seguranças, mas não escondem que houve um reforço, principalmente com parentes. Prata chamou primos de Minas Gerais e do Paraná para permanecerem em sua fazenda.Agência Folha
Presidente Prudente
Arquivo FolhaConflitoNa Fazenda Santa Rita - na lista das próximas invasões -, houve violência no início do anoSão José do Rio Preto





