Curitiba - ''O MST é uma benção de Deus'', frase dita pelo governador Roberto Requião (PMDB), já é coisa do passado. A política da boa vizinhança entre o governo do Paraná e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) parece estar sofrendo seu primeiro grande abalo, desde janeiro de 2003, quando o novo governo tomou posse. A desocupação pela Polícia Militar (PM), anteontem, da Fazenda Sonda invadida pelo MST em Maria do Oeste, região central do Estado, e que resultou no ferimento e prisão de sem-terra, abriu uma crise política. MST e Comissão Pastoral da Terra (CPT), entidade que dá apoio ao movimento, acusaram, através de nota oficial, o governo Roberto Requião (PMDB) de ''ressuscitar táticas do governo Jaime Lerner (PSB)''.
''(...) através da PM e da Secretaria de Segurança, mostra que as táticas amplamente usadas durante os oito anos do governo Lerner e condenadas internacionalmente, continuam vivas: congelamento da área, impedimento de acesso da imprensa, agressão aos trabalhadores, separação de mulheres e crianças, prisão de lideranças, destruição de pertences e de símbolos dos trabalhadores, apreensão de instrumentos de trabalho (um caminhão com foices e enxadas) e tortura psicológica, foram realizadas nesta ação conjunta da PM com as forças do latifúndio.''
Segundo os agentes da CPT que estavam na área, vários trabalhadores, incluindo crianças, foram obrigados a permanecer em campo aberto até a madrugada, ''passando fome, sede e frio''. Durante o despejo, diz ainda a nota, a PM ''agrediu os trabalhadores batendo e atirando muitas bombas e tiros contra as (cerca de 300) famílias acampadas (desde maio do ano passado)''.
''Solidários (...), CPT e MST declaram total repúdio à ação da PM do Paraná e condenam a atitude violenta do Estado e o conluio do Poder Judiciário com o latifúndio, representado pela UDR e pelo criminoso PCR. Pedimos medidas urgentes do governo Requião no sentido de cancelar toda e qualquer ação de violência contra os sem terra do Paraná e garantir às famílias o seu direito à posse da terra. Além disso, os episódios desta semana mostram que a era Lerner continua viva na PM e nas instâncias do Estado, comprovando a necessidade de uma mudança na formação dos policiais do Paraná, para que tratem os sem-terra como cidadãos e não como bandidos'', finaliza a nota.

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