Natal, 27 (AE) - Dirigentes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e do Movimento de Libertação dos Sem-Terra (MLST) admitem atuar juntos no Rio Grande do Norte, a partir de outubro, para intensificar as invasões no Estado Segundo eles, em dois meses os acampamentos dos movimentos ficarão sem alimentos. Valmir Macedo, coordenador do MST no Estado, já manteve contato com o MLST. Hoje, Macedo admitiu a possibilidade de acontecerem saques nas próximas semanas.
Macedo disse que o alerta não é para intimidar, mas reforçou que o entendimento com o MLST podem ampliar a luta dos sem-terra no Estado. Ele nega que os integrantes do novo movimento tenham sido expulsos do MST. "Podemos muito bem conduzir juntos nossos objetivos para enfrentar o governo federal, que não cumpre seu papel para efetivar a reforma agrária no país", afirmou. O movimento calcula que existam 100 mil famílias de sem-terra no Rio Grande do Norte, espalhadas em 160 assentamentos e acampamentos.
"A estiagem e o fim da colheita de feijão e milho, que deve terminar nas próximas, vão aumentar a fome dos sem-terra e motivar saques pelo Estado", prevê o coordenador do MST. "Devemos ocupar terras na região Oeste, Canavieira e Metropolitana", acrescentou. Hélio Freitas, dirigente do MLST, que comanda a ocupação da Fazenda Manibu, pertencente ao senador Geraldo Melo (PSDB), cerca de 30 quilômetros de Natal, afirma que as 300 famílias acampadas no local ainda não receberam nenhum comunicado do senador. "Parece que ele quer tratar do assunto através de advogados", disse.
Freitas afirmou que o superintendente regional do Instiututo Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) garantiu que a desapropriação da fazenda não vai demorar. "A terra é boa e improdutiva e não há gado nem plantação, por isso precisamos de doações de alimentos", diz o militante.

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