Belém - ''O MST utiliza ações violentas contra quem discorda dos seus métodos. É, na verdade, uma facção criminosa.'' A frase é do lavrador Moisés Caxias Garrido, um líder sem-terra paraense, dissidente da entidade e fundador do recém-criado Movimento dos Pequenos Trabalhadores Rurais de Mosqueiro (MPTRM). Garrido denuncia que o comando armado e encapuzado que no domingo passado expulsou 50 famílias de uma área invadida é patrocinado pela direção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Pará.
Garrido atacou o MST e defendeu as famílias, que tiveram de fugir do local usando canoas. Eles foram expulsos a bala do assentamento Paulo Fontelles, formado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) na região da Baía do Sol, a 58 quilômetros de Belém. Garrido disse que o MST está agindo como ''uma ditadura cruel''.
Segundo Garrido, pessoas que se diziam ligadas ao MST chegaram à área e teriam coagido os invasores dizendo que quem quisesse ganhar um lote deveria seguir o MST e quem não concordasse deveria deixar a fazenda. ''Como as famílias insistiram em ficar, foram obrigadas a sair debaixo de muita violência.''
Ele disse que o acampamento está sob o comando do MST e que líderes armados controlam a entrada e saída de pessoas. Garantiu que essas pessoas têm autorização para ''atirar e matar'' novos dissidentes que se aventurem na área.
O coordenador estadual do MST, Raimundo Nonato Coelho de Souza, negou as acusações. ''A comunidade resolveu afastá-los, porque eles não correspondiam mais às suas determinações'', disse. Souza reiterou que o MST tem regras que devem ser seguidas por todos e o que é decidido nas assembléias de assentados não pode ser mudado. ''Quem chegou depois à área não pode querer dominar quem já estava lá dentro.''
Prisão - Dois suspeitos de assassinarem três trabalhadores sem-terra, semana passada, nos municípios pernambucanos de São José da Coroa Grande e Passira, foram presos. As duas prisões têm caráter temporário, de cinco dias.

mockup